Publicado por: Ricardo Shimosakai | 21/07/2010

Futebol, o esporte que rompe barreiras


Esta matéria foi escrita por Ricardo Shimosakai para o site Copa 2014 do Ministério do Turismo, em 19 de julho de 2010. http://www.copa2014.turismo.gov.br/copa/noticias/todas_noticias/detalhe/20100719_05.html

A Copa do Mundo voltará a ser realizada na América do Sul após 36 anos, mais especificamente no Brasil, em 2014. Antes desta, tivemos a realizada na Argentina, em 1978, e teve a anfitriã como a campeã do torneio. As reformas e as construções devem começar imediatamente. O prazo final para a entrega de todos os estádios em plenas condições de uso é dia 31 de dezembro de 2012. Em 2013, o país deverá receber a Copa das Confederações, que serve como uma espécie de ensaio geral para o Mundial.

Bilhões de dólares serão investidos para atender às exigências estabelecidas pela FIFA, e um dos requisitos mais visados é a Acessibilidade. Estádios, Terminais Aeroportuários, Portuários, Rodoviários e Ferroviários e os Pólos de Hospitalidade devem ser acessíveis a todas as pessoas, inclusive às Pessoas com Deficiência ou Mobilidade Reduzida.

Sabemos que a acessibilidade ainda é precária em diversas cidades e o Estado e a Sociedade Civil Organizada tem agora, uma grande oportunidade de analisar e implementar as devidas adequações, pois além de promover a hospitalidade aos torcedores, poderemos deixar um legado de melhorias a milhões de brasileiros com deficiência ou mobilidade reduzida

A promoção da acessibilidade está assegurada na Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, ratificada no Brasil pelo Decreto Legislativo 186/2008. Além dessa norma, que tem status de emenda constitucional, há as Leis nº 10.048 e 10.098, ambas de 2000; o Decreto nº 5.296, de 2004; e o Estatuto do Torcedor (Lei nº 10.671/2003) que prevê a garantia do meio de transporte para a condução de pessoas com deficiência, além de idosos e crianças. Além disso, a própria FIFA coloca a acessibilidade como um item obrigatório nos estádios.

Porém, o futebol não está presente somente na vida dos torcedores com deficiência, mas também enquanto atividade praticada, inclusive em competições nacionais e internacionais, obtendo em algumas delas resultados mais expressivos do que as equipes convencionais.

O “Futebol de 5” (ou, em inglês, o five-a-side football), praticado em mais de trinta países em todos os continentes, é o futebol para cegos e teve sua estreia nas Paraolimpíadas em Atenas (2004), o que fez com que o esporte e seus atletas fossem pela primeira vez reconhecidos em seus países. A vitória do Brasil (a primeira medalha de ouro que o nosso futebol ganhou em Olimpíadas) reafirmou o papel do nosso País como potência também no futebol adaptado. Atualmente, são mais de cinquenta equipes representando a quase totalidade dos estados da federação.

Praticado em quadra, o “Futebol de 5” segue as regras do futebol de salão. A única modificação espacial necessária é a chamada banda lateral, um conjunto de compensados de madeira de um metro e meio de altura que percorre toda a lateral da quadra. Dessa maneira, a bola só sai de jogo na linha de fundo, o quê dá ao esporte um dinamismo muito maior. Os goleiros enxergam normalmente (videntes), mas para evitar que influam demasiadamente na dinâmica da partida, eles têm sua área de atuação restrita a uma pequena zona retangular de 2 por 5 metros, próxima ao gol.

Além disso, um guia (chamador), posicionado atrás do gol adversário, orienta os jogadores de ataque de sua equipe. Vale ressaltar que os atletas que praticam esta modalidade, à exceção dos videntes e dos chamadores, são completamente cegos, inseridos na categoria B1 (Blind One, isto é, que possuem grau de visão muito próxima ou igual a 0%). Para evitar que haja disparidade entre os atletas provocados por possíveis resíduos visuais, a regra os obriga a utilizarem o Tampão Oftalmológico, recoberto por uma venda. No entanto, o elemento mais curioso que envolve o esporte é a bola, especialmente produzida para o futebol de cegos. Ela tem a superfície recoberta por gomos, dentro dos quais são acondicionados e costurados guizos de ferro. Quando a bola está em movimento, esses guizos balançam no interior da bola e o som produzido orienta os atletas.

Em 1978, surgiu o “Futebol de 7” para paralisados cerebrais. Foi na cidade de Edimburgo, na Escócia, que aconteceram as primeiras partidas. A primeira Paraolimpíada em que a modalidade esteve presente foi em Nova Iorque (1984). O “Futebol de 7” é praticado por atletas do sexo masculino, com paralisia cerebral, decorrente de sequelas de traumatismo crânio-encefálico ou de acidentes vasculares cerebrais. As regras são da FIFA, mas com algumas adaptações feitas pela Associação Internacional de Esporte e Recreação para Paralisados Cerebrais. O campo tem no máximo 75 m x 55 m, com balizas de 5 m x 2 m e a marca do pênalti fica a 9,20 m do centro da linha de gol. Cada time tem sete jogadores, incluindo o goleiro, e cinco reservas. A partida dura 60 minutos, divididos em dois tempos de 30, com um intervalo de 15 minutos. Não existe regra para impedimento e a cobrança lateral pode ser feita com apenas uma das mãos, rolando a bola no chão. Os jogadores pertencem às classes menos afetadas pela paralisia cerebral e não usam cadeira de rodas. No Brasil, a modalidade é administrada pela Associação Nacional de Desporto para Deficientes (ANDE). A BT Paralympic World Cup foi criada para ser um evento anual mundial de classe multiesportiva para pessoas com deficiência e atletas de elite internacional, fazendo uma ponte entre o intervalo de quatro anos dos jogos paraolímpicos, onde o “Futebol de 7” é uma das modalidades.

O “Futebol para Amputados” não é uma modalidade paraolímpica, mas luta para chegar lá em 2016. O Brasil disputa o Campeonato Mundial da categoria desde 1989 e sempre esteve entre os quatro primeiros na competição. Estreamos com um terceiro lugar em Seatle, EUA, e somos tetracampeões na categoria (1999, 2000, 2001 e 2005). A Copa do Mundo de Futebol para Amputados foi criada em 1987 pela Ampute Soccer International, com sede em Seatle, EUA. Dois anos depois, o Brasil já participava pela primeira vez do evento, competindo com as equipes da Inglaterra, El Salvador, Rússia, Guatemala, Canadá e Estados Unidos. O futebol para amputados é disputado em campo de futebol society, com dimensões mínimas de 60 m x 38 m. Cada equipe tem sete jogadores, sendo todos os atletas de linha amputados de uma das pernas e o goleiro amputado de um dos braços. A muleta não pode tocar na bola de forma intencional e a lateral é cobrada com o pé.

Os atletas com incapacidade intelectual foram excluídos dos Jogos Paraolímpicos após Sydney 2000, quando se comprovou que o sistema de avaliação da Federação Internacional de Esportes para Pessoas com Deficiência Intelectual (Inas-FID) não considerava o impacto que podia ter na prática esportiva, de modo que competiam pessoas que não podiam ser consideradas deficientes. Mas ainda havia a Special Olympics, organização internacional que organiza os Jogos Mundiais Olímpicos Especiais (Special Olympics World Games), que tiveram início na cidade de Chicago, em 1968. A Universidade Metodista de São Paulo tem um Programa Internacional de Esportes da Special Olympics, onde as regras do Futsal têm como base as normas da Federação Internacional de Clubes de Futebol (FIFA). As normas da FIFA são empregadas, exceto quando entrarem em conflito com as Regras Oficiais da Special Olympics.

Assim, considerando que a Copa do Mundo de futebol é o evento que reúne milhares de pessoas, onde as diferenças somem e colocam o rico e o pobre, o empregado e o patrão, o branco e o negro numa só torcida, é passada a hora de uma inclusão efetiva tanto para o torcedor quanto para o esportista deficiente. Até porque está mais do que claro que o futebol oferece todas as condições para isso.


Respostas

  1. A ANDE gere muito mal o futebol 7, possuem total descaso com quem solicita informações e estão apenas no Rio de Janeiro e a Confederação nem sabe dar informação…..Éh….rsrs…Brasil!

    • Já fui atleta paradesportivo, e sei das confusões que envolvem esse segmento. Os atletas só são valorizados depois que trazem grandes resultados. Quem sabe com as Paraolimpíadas acontecendo em nossa casa, isso possa dar uma melhorada. Pois resolver os problemas que ocorrem, acho muito difícil, pelo menos a curto ou médio prazo.

  2. A ANDE gere muito mal o futebol 7, possuem total descaso com quem soliita informções e estão apenas no Rio de Janeiro e a Confederação nem sabe dar informação…..Éh….rsrs…Brasil!


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