Publicado por: Ricardo Shimosakai | 28/11/2010

Surf para pessoas com deficiência – inclusão na crista da onda


O surf é um esporte muito popular no Brasil, e com praticantes em diversas partes do mundo. Hoje em dia há um crescente número de pessoas com deficiência buscando a prática do surf.

A primeira pessoa com deficiência a surfar no Brasil que se tem noticia foi Carlos “Mudinho” um dos pioneiros deste esporte, se interessou pelo surf ainda garoto aos 9 anos de idade. Surdo congênito motivado por sua paixão as ondas, superou as dificuldades físicas, as de sua época e o preconceito. Hoje com 60 anos, continua surfando se consagrou também como shaper e é reconhecido por muitos surfistas como o mestre Mudinho, se tornou um exemplo de vida, amor ao esporte e fé.

Outro surfista com deficiência Alcino Neto o “Pirata”, nasceu e foi criado no Guarujá litoral de São Paulo, sofreu um acidente de moto aos 15 anos de idade e devido a gravidade dos ferimentos e pela falta de assistência adequada teve a perna esquerda amputada. Após seis meses do acidente recomeçou a fazer natação, onde sentiu segurança para voltar a pratica do surf. Atualmente aos 38 anos continua surfando e tem uma escola de surf na praia de Pitangueiras Guarujá.

O surfista de São Vicente, Paulo Eduardo Aagard, sofreu um grave acidente e teve suas duas pernas amputadas abaixo dos joelhos, Pauê como e conhecido voltou a surfar com a utilização de próteses e tornou-se o primeiro surfista no Planeta, com amputação bilateral.

Robson, 36 anos, mais conhecido como “Careca” morador de São Sebastião em outubro de 1998, voltando de Ubatuba, depois de uma seção de surf, o carro em que estava bateu em outro veiculo. Como estava no banco de trás foi arremessado e bateu com a cabeça no vidro dianteiro. Fraturou a cervical e sofreu uma lesão medular que o deixou tetraplégico traumático. Mas mesmo assim retornou a praticar o surf de forma adaptado com a Surf Especial, sempre acompanhado de um profissional.

O surfista Waldomiro morador de Santos iniciou a prática do surf após a perda da visão, já cego procurou a Escola Radical da Prefeitura em Santos e com a ajuda do professor Francisco Araña o “Cisco” iniciou no Surf e colaborou para a elaboração da primeira prancha adaptada para deficientes visuais.

Rodrigo é mais um surfista com deficiência, se tornou conhecido em 2005, após o lançamento do filme “Do Luto a Luta”. Documentário que focaliza as deficiências, mas também as potencialidades das pessoas com Síndrome de Down, problema genético que atinge cerca de 8 mil bebês a cada ano no Brasil. Neste filme ele aparece surfando com Rico de Souza surfista renomado que tem sua vida dedicada ao universo do surf.

Octaviano Augusto de Campos Bueno, mais conhecido como Taiu é considerado um dos melhores big riders por ter consagrado o nome do Brasil no cenário do surf mundial. Exatamente um mês antes de completar 29 anos, no dia 1 de novembro de 91, Taiu sofreu um grave acidente que mudou radicalmente sua vida. Da onda mal completada na praia de Paúba, litoral norte de SP, o surfista que estava em sua melhor forma, só lembra do breu, da sensação de anestesia e da voz do amigo gritando seu nome. Taiu havia fraturado a quarta vértebra cervical e traumatizado a medula óssea. Conseqüência: paralisia motora do ombro para baixo. Taiu escreveu o livro “Alma Guerreira” e teve o prazer de surfar novamente graças a ajuda de amigos, como mostra o vídeo no final da matéria.

A havaiana Bethany Hamilton, de 18 anos, no dia 31 de outubro de 2003 acordou, tomou seu café e foi pro mar com uma amiga para fazer o que mais gostava. Depois de pouco tempo na água, Bethany é atacada por um tubarão na praia de Tunnels, no Kauai, quintal de sua casa. Depois disso, sua vida mudou bastante. Além de ficar mais conhecida pelo ocorrido, Bethany teve que se superar para enfrentar, de igual para igual, outras surfistas profissionais que não possuem nenhum tipo de problema. Ela disputa o WQS, divisão de acesso à elite do surf feminino, o WCT.

O Instituto Adaptação e Surf – ADAPTSURF  tem a proposta de desenvolver e divulgar o surf adaptado para pessoas com deficiência, lutar pela preservação da Natureza e por melhorias na acessibilidade das praias. Acreditam que o surf pode ser uma excelente ferramenta nas questões sociais, culturais e ambientais por se tratar de um esporte saudável, democrático e de interação total com a Natureza.

O surf é uma das modalidades mais populares do Brasil, atualmente tendo aproximadamente 2,7 milhões de surfistas. Os surfistas com deficiência citados acima ajudam a popularizar o esporte também para esta camada da sociedade.

Fonte: Ibrasurf


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