Publicado por: Ricardo Shimosakai | 05/03/2011

Ó abre alas que os Embaixadores da Alegria querem passar.


Fernanda Honorato nasceu com Síndrome de Down; Waldir Lopes perdeu a visão há doze anos; Leonardo Braconnot tem a audição totalmente comprometida e Alessandra da Silva Gomes sofre de Osteogenesis Imperfecta (doença que causa fragilidade óssea). O que eles têm em comum? Muito samba na ‘veia’ e disposição – mais evidentes ainda no Carnaval. Todos participam de blocos e escola de samba que fazem essa festa popular cada vez mais inclusiva.

Na folia de Momo, o enredo parece ser um só: o da alegria e da luta pela integração de pessoas com necessidades especiais que vivem com alguma deficiência. Fernanda Honorato, que não revela a idade (“Parei nos 29 anos”, brinca), é a rainha da bateria da primeira escola de samba inclusiva do Rio de Janeiro, a Embaixadores da Alegria, que desfila no Sambódromo desde que foi criada.

Fundada pelo inglês Paul Davis, um apaixonado por samba, ele conta que em 2007 teve hérnia de disco e não pode desfilar na Viradouro, outra escola do Grupo Especial. “Fiquei assistindo ao desfile pela televisão e comecei a pensar quão difícil deveria ser a vida de uma pessoa com deficiência.” A inquietude de Paul levou-o a fundar a Escola, que tem como proposta utilizar o samba e o Carnaval como instrumentos de inclusão social e emocional. “Nosso projeto une o sonho da Avenida com a realidade do dia-a-dia destes sambistas especiais, visando quebrar todas as barreiras de acessibilidade e os preconceitos de quem ainda os vê como incapacitados”, diz.

A Embaixadores da Alegria, que no seu primeiro desfile, em 2008, encontrou a Marquês de Sapucaí vazia ao abrir o desfile do Grupo de Acesso, hoje tem 1.800 componentes,  60% deles com necessidades especiais, e encara o Sambódromo lotado.”Desde 2009 abrimos o desfile das Campeãs do Carnaval do Rio. É muito emocionante desfilar para cerca de 40 mil pessoas”, diz Paul empolgado, já imaginando a escola na avenida este ano, quando apresentará o enredo Sol é Luz, Luz é vida – A Embaixadores Ilumina a Avenida.

Para desenvolver a temática, a Embaixadores da Alegria conta com dois carros alegóricos representando o sol e a praia num domingo ensolarado. “Nosso carro principal é composto de 22 integrantes, a maior parte com Down, e também por pessoas com duas pernas mecânicas que sabem sambar”, explica o presidente da Embaixadores. “A segunda alegoria terá dez pessoas com problemas de lesão cerebral”, revela o presidente da Escola, que faz disputa para escolher o samba-enredo.

Waldir Lopes, 62 anos, tornou-se compositor ao buscar alguma atividade que o mantivesse ocupado depois de ter perdido a visão. “Há três anos, venho participando de diversos blocos inclusivos e também da Embaixadores. Já tirei primeiro, segundo ou terceiro lugares nos concursos de samba-enredo. Mas o que importa é mostrar que um deficiente pode fazer de tudo”, festeja.

Quem também se sente valorizada é Alessandra Gomes, 20 anos, que fará sua estreia no Carnaval desfilando como porta-bandeira da Embaixadores da Alegria. Ela, que há três anos viu pela televisão o desfile da escola, diz ter sonhado um dia também estar entre seus componentes. O convite  veio por meio do grupo de dança de que participa, na Associação Niteroiense de Deficientes Físicos.

Fonte: Yahoo Notícias

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Respostas

  1. […] em superação, teve entre seus brincantes atletas paraolímpicos. O Rio de Janeiro também terá pessoas com síndrome de Down e outras necessidades especiais, na Escola de Samba Embaixadores da Al…que se apresenta na abertura do desfile das campeãs. Em São Paulo, uma ala de pessoas com […]

  2. Nossa, só quem passa pelas nosssas dificuldades consegue imaginar , nossas vidas! Obrigada Paul e Ricardo por difundir! Bj e bom Carnaval!

    • Apesar das dificuldades pelas quais passamos não podem ser o motivo para deixarmos de lado a busca pela felicidade. O Carnaval é a festa maior do Brasil e não poderia deixar de incluir as pessoas com deficiência

      • É por essas e por outras, que a minha admiração por você vai só aumentando… Você descobre cada coisa, DEFINITIVAMENTE não fazia a menor idéia que existia alguma iniciativa desse porte. Agora, só falta Salvador com o Axé, não é mesmo? Rs.

        • Mônica,
          Por isso que julgo o portal como uma grande ferramenta de informação desses oportunidades. E por trás disso, estamos trabalhando para viabilizar o turismo para todos. Se o Axé de Salvador ainda não estiver adequado, vamos correr atrás disso. E elogios de pessoas especiais como você me fazem ter motivação para lutar por esses ideais


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