Publicado por: Ricardo Shimosakai | 15/04/2011

Handbike ou handcycle. A bicicleta adaptada para o esporte ou lazer.


Sentir de novo o vento tocar a face em uma velocidade eletrizante, poder tocar o asfalto e notar o quão rápido ele passa por baixo de você. Essa é a primeira sensação de quem voltou a andar de bicicleta depois de algum tempo achando que jamais sentiria novamente a maravilhosa sensação de liberdade. A bike em questão não é do modelo comum, é claro, mas muito parecida se comparada à sensação de bem-estar e adrenalina que proporciona. A Handbike ou Handcycle, como também é conhecida, nada mais é do que a bicicleta e o ciclismo adaptados, porém, no Brasil usa-se o termo para ambas as denominações.

A atividade é bastante democrática, muitas pessoas com deficiência física podem praticar: amputados de membros inferiores, lesados medulares, paralisados cerebrais, pessoas com sequela de pólio, etc. Para quem tem os membros superiores afetados, como os tetraplégicos, existe uma série de adaptações para pedalar, trocar as marchas e acionar os freios. Este último, por exemplo, pode ser acionado com o cotovelo, ou até mesmo com a parte de trás da cabeça. Com a ressalva de que é importante ter, pelo menos, um pouco de força nos membros superiores. Se a pessoa consegue tocar uma cadeira de rodas manual, provavelmente conseguirá pedalar uma Handbike.

Antes de começar a praticar o esporte, há cerca de um ano, Eduardo Camara, de 34 anos, sofreu uma lesão medular que o fez abandonar o hobby de pedalar. O analista de sistemas conta que uma das maiores frustrações foi descobrir que não poderia mais sentir o vento no rosto novamente. “Eu tinha verdadeira paixão por bicicletas e participava de competições. Não poder mais pedalar foi uma das piores consequências do meu trauma, e era difícil olhar para a minha bicicleta sabendo que nunca mais poderia usá-la.”

Essas bicicletas adaptadas custam de 1.500 a 5.000 dólares cada. O investimento inicial é grande, porém, não se trata de um esporte caro, já que os treinos são ao ar livre e as peças que sofrem desgaste são encontradas em qualquer bicicletaria. Se comparado aos demais esportes de quadra, como basquete, rúgby, tênis, entre outros, onde é necessário comprar uma cadeira especial e dispor de toda uma infra-estrutura para os treinos, a Handbike ainda é a melhor escolha.

Por ter uma carreira paralela, Camara treina no período noturno, de cinco a seis vezes por semana, cerca de duas horas e meia por dia. “A maioria dos treinos eu faço na orla da zona sul e no Aterro do Flamengo. Nesses lugares consigo unir o prazer de pedalar com o de curtir o visual do Rio de Janeiro.

As pessoas ficam super curiosas quando veem a minha bicicleta. O tempo todo me abordam para perguntar a respeito dela.” O esporte melhora o condicionamento físico, o sono e até a autoestima. “Estou nitidamente mais forte e bem disposto. Além disso, adquiri mais fôlego, durmo melhor e meu colesterol, que há anos estava alto, voltou aos níveis adequados”, conta Camara. O carioca perdeu sete quilos em um ano, mesmo se alimentando com o dobro da quantidade que consumia antes.

A bicicleta é uma ferramenta de inclusão social, onde as pessoas com deficiência podem ver e serem vistas pelas ruas, fazendo o que mais gostam. O esporte pode ser praticado em ciclovias, orlas e parques que tenham uma boa pavimentação. Se houvesse uma estrutura cicloviária decente em todas as cidades, mais cadeirantes estariam locomovendo-se e levando uma vida independente.

A cada ano cresce o número de competições destinadas ao esporte no Brasil. Até 2009, só existiam categorias específicas para Handbike no Campeonato Brasileiro de Ciclismo Paraolímpico e em algumas corridas de rua. Segundo Camara, em algumas provas de ciclismo a Handbike até pode correr, mas em categoria paraolímpica única e concorrendo com bicicletas convencionais, que são mais rápidas. Logo, as Handbikes ficavam em desvantagem. Em 2006, o Comitê Paraolímpico Brasileiro levou um atleta dessa modalidade a um Campeonato Mundial em Aigle, na Suíça.

A intenção era testar o esportista com deficiência física. Segundo o técnico de Ciclismo Paraolímpico, Romolo Lazzaretti, foi uma surpresa o potencial demonstrado pelo participante. “A evolução desta modalidade é constante e, por este motivo, estamos prestando atenção a tudo que acontece ao redor dela. O Handcycle é muito recente na nossa cultura ciclística e estamos nos desenvolvendo juntos.” Muitas provas estão sendo realizadas no mundo inteiro, sempre com a supervisão da Union Cycliste Internationale (UCI), em português, União Internacional de Ciclismo. A última delas aconteceu em Baie-Comeau, no Canadá.

E para quem se interessou em adquirir uma handbike, mas não sabe onde comprar, Ricardo Shimosakai está colocando à venda suas 2 handbikes, ambas em ótimo estado, uma importada e outra nacional. Abaixo as fotos das handbikes disponíveis, e para mais informações, escreva para ricardo@turismoadaptado.com.br

Fonte: Revista Sentidos


Responses

  1. Eu tambem sou Deficiente Fisico residuo em Fortaleza-Ce sou Professor de Educacao Fisica, Pratico Basquete Cadeira e Tambem tenho uma Randebik e sempre treino e quando a compedicao estou dento. Gosto muito de fazer Esporte pois faz bem a Mente e o Corpo. Quero manter contato com passeiros do mesmo.

  2. Oi Ricardo, boa noite. Por acaso você ainda tem alguma das handbykes para vender? Att, William (william.souza.carvalho@gmail.com).

  3. GOstarei de adquirir uma handbike. Você já vendeu a sua? Se não vendeu, qual o preço?.

  4. Muito bom.
    Colei na minha página do facebook.

  5. vou lêr, sim !

    • Leia, aprecie, replique. Se você gostou de receber, outros também gostarão.

  6. Olá Ricardo,
    Podemos combinar para você vir experimentar a handbike. Lembrando que o valor oferecido, é livre de qualquer obrigação de minha parte.

  7. olá ricardo !
    não conheço tua história de vida como cadeirante, mas deve ser sido muito difícil no começo, como são para todos. quero registrar minha admiração pela tua ATITUDE de recomeçar. e me parece que vc conseguiu recomeçar e bem. também mesmo sendo tetraplégico, c5,c6, voltei a trabalhar todo amarrado, com adaptadores,etc…após 7 meses do acidente. era executivo de uma transportadora 5 estrelas /starlog por 13 anos.em dezembro de 2010 , fui demitido por não aceitar redução no salário. até hoje luto na justiça por meus direitos trabalhistas, nem me aposentar pude, eles não recolhiam inss,fgts, etc……
    parabéns a vc !
    Á disposição de vc e todos seus leitores ,em NATAL.
    abs
    HOMERO BRANDÃO – NATAL-RN
    84.8846.4476
    3219.0430

  8. Ricardo, estou aguardando a sua resposta estou realmenta interassado em comprar umas de suas bikes, so preciso saber aonde que eu posso ir dar uma olhada nelas, continuo no aguardo.
    Obrigado

  9. ricardo
    qual modelo .marca e fabricante ?
    essa da moça da novela……….
    ela é de aluminio o quadro ?

    • Ambas foram adquiridas através de uma organização Portuguesa chamada World Bike Tour, mas não há especificação de fabricante ou modelo. Ambas também são fabricadas em alumínio

  10. Para mim esse é sem duvida o esporte paraolimpico mais bonito de se ver
    Fico emocionada todas as vezes que vejo! Parabens aos atletas.

    • Também acho esse esporte muito bom, porém infelizmente devido a falta de tempo, estou colocando minhas handbikes a venda. Assim espero passar esse prazer a outra pessoa

      • olá ricardo
        sou tetraplégico há 9 anos, tenho alguns movimentos dos braços, menos pinça nas mãos. toco a cadeira. será que dá para meu uso ? peso, altura,interferem ? tenho 1,85, 78 kg.gostaria de saber como usar, preço, etc…contato; homero, natal,rn.
        brancobrandao@gmail.com
        84-8846.4476
        abs

        • Olá Homero,
          Não há restrições para seu peso, e a handbike tem regulagens, para questões do tamanho da pessoa, e também para um melhor conforto e rendimento. É mãodalar, pedalar com as mãos. Como você tem movimento nos braços, pode sim usar. No mais, é tudo uma questão de adaptação pessoal, ou seja, ir acostumando com o equipamento para conseguir tirar o melhor proveito dele.


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