Publicado por: Ricardo Shimosakai | 31/08/2011

Cadeirante revoltada com o péssimo atendimento à pessoas com deficiência em aeroportos


Lucilia Maria Moreira Machado, jornalista que faz parte da equipe Sensibiliza UFF, do Núcleo de Acessibilidade e Inclusão (NAIS) da Universidade Federal Fluminense, enviou este texto colocando as dificuldades enfrentadas num vôo pela companhia aérea GOL. A viagem foi no dia 15 de julho, vôo de número 1575, de Belo Horizonte partindo do Aeroporto de Confins às 14h25min para o Aeroporto Santos Dumont com chegada prevista para 15h24min.

A passagem foi comprada na véspera, dia 14/07, com o destaque de “prioridade”, o que na linguagem das companhias aéreas significa uma pessoa com deficiência, idosa ou criança, cujo assento tem que ser na primeira fileira, pois como no meu caso, a cadeira não passa no corredor da aeronave. Cheguei em confins às 13h15, o aeroporto estava um caos, com filas imensas, passageiros exaltados e funcionários atônitos.

Consegui chegar ao balcão da gol às 13:30 e ser atendida às 13:45. O atendente não sabia da “prioridade”, me mandou seguir sozinha, sem nenhum funcionário da empresa para o embarque no segundo andar.  Eu e minha acompanhante nos “enfiamos” no meio da multidão, em busca do elevador.  Depois de nova maratona, cheguei ao embarque e ainda tive que ouvir a célebre frase “embarcando uma cadeira de rodas”, como se eu não tivesse um nome próprio. Fui levada “tubo abaixo” até a entrada da aeronave.  Não tinha lugar reservado, e uma passageira idosa e uma criança tiveram que trocar de poltrona, para que eu e minha acompanhante sentássemos na primeira fileira.

Continuando a novela, quando aterrissamos na cidade maravilhosa, após esperar serenamente todos os passageiros desembarcarem, fui surpreendida com a notícia de que eu teria que descer da aeronave pela escada, “sentadinha na minha cadeira, amedrontada”, no “muque” dos funcionários da gol.

E apesar do meu protesto. Ainda tive que ouvir a simpática comissária da gol, perguntar se eu  não confiava neles. Eu disse, lógico que não!!!  Desci indignada.  A minha acompanhante aproveitou e tirou uma foto. Um funcionário da gol me disse baixinho “o Herbert Vianna sempre reclama” …e eu tb vou colocar a boca no trombone toda vez que me sentir lesada!


Respostas

  1. OI..QUE ACONTECEU COM A LUCILIA ,É A COISA NORMAL NOS AEROPORTOS E EH TERMINAIS DE ONIBUS .ACONTECEU COMIGO NO EMBARQUE E DESEMBARQUE,TANTO NA INDA COMO NA VINDA.EU RECLAMEI ,ELES SÓ FALARÃO QUE IRIA TOMAR AS DEVIDAS PROVIDENCIA.O POBLEMA QUE TA ATÉ HOJE AS PROVIDENCIAS NÃO FORÃO TOMADAS.MAS EU MANDO E-MAIL PRA EMPRESA AERIA DIRETO.

    • Normal não é, pois ser normal é estar de acordo com a norma, com a regra. Podemos dizer que é habitual, que acontece várias vezes. Apesar da Turismo Adaptado estar oferecendo soluções para esse problema, as companhias aéreas e órgãos reguladores tem grande resistência em aceitá-las.

  2. Nossa isso é constrangedor e sempre passo por isso..até quando??

    • Quanto mais pessoas reclamarem e exigirem seus direitos, mais atenção receberemos e desta forma, uma chance maior de acontecerem mudanças. Então, quando passar por essas situações, denuncie. A Turismo Adaptado trabalha por essas melhorias, mas se não houver clara essa necessidade de mudança, as companhias aéreas não tomarão iniciativas

  3. isso é brasil!
    quero ver na copa!!
    :/

    • Na verdade o Brasil sabe que os aeroportos são um dos principais problemas para receber grandes eventos como a Copa e Olimpíadas. Um problema em relação à acessibilidade, é que muitas vezes eles dão um jeito para resolver esse problema somente no período do evento, mas quando ele termina, os recursos de acessibilidade também acabam. Isso tem que ser algo permanente.

  4. isso ja aconteceu comigo , minha filha é cadeirante , no aeroporto em sao paulo e em londrina no parana é muito constrangedor , isso que ela ainda é adolescente

    • Além do constrangimento, esta operação não oferece segurança. As companhias aéreas sugam milhões de reais todos os dias dos passageiros, mas não tem iniciativa para adquirirem equipamentos adequados. É um dever deles oferecerem melhores condições, temos que continuar a exigir.


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