Publicado por: Ricardo Shimosakai | 27/10/2011

As pessoas com deficiência no Movimento Escoteiro Brasileiro


Em nosso país, alguns Grupos Escoteiros, em vários Estados, têm recebido em suas fileiras crianças portadoras de necessidades especiais. Trata-se, na maioria dos casos, de experiências isoladas e sem uma retaguarda institucional para a empreitada, isto é, sem o apoio de um programa oficial da União dos Escoteiros do Brasil que estabeleça princípios, oriente ações e defina limites, assim como uma estrutura de capacitação de voluntários adultos e jovens líderes para tarefa de tamanha responsabilidade como essa. A principal conseqüência dessa carência é a descontinuidade das iniciativas, por mais bem intencionadas que sejam.

Podemos citar como exemplos do esforço individual de Grupos Escoteiros, a experiência do Grupo Escoteiro Cruzeiro do Sul (49°/SP) na cidade de São Paulo, que, em parceria com a Associação de Assistência à Criança Defeituosa – AACD, promoveu, entre os anos 1963 e 1975, a integração de crianças portadoras de necessidades especiais às Alcatéias do Grupo.

Alguns Grupos Escoteiros, em diversos Estados do país, têm recebido isoladamente crianças ou jovens deficientes, principalmente parentes de membros do Movimento Escoteiro. Contando com a boa vontade dos Escotistas e dos membros jovens, esses meninos e meninas são recebidos com entusiasmo, mas logo tanto os adultos como os jovens sentem o peso da falta de conhecimento para lidar com essas pessoas portadoras de necessidades especiais. Outros Grupos ou Seções de Grupos Escoteiros tentam atuar junto a entidades de assistência a portadores de necessidades especiais. Nesse caso, trata-se de promover periodicamente atividades conjuntas entre escoteiros e as crianças atendidas por essas instituições, que na verdade são “atividades especiais”, estanques e periódicas. Em outras palavras, essas “atividades especiais”, apesar de instantaneamente compensadoras, não estão inseridas em um programa educativo que contemple o potencial de cada criança ou jovem nas seis áreas de desenvolvimento preconizadas pelo Movimento Escoteiro, assim como não estabelece metas nem realiza avaliações com as próprias crianças. Na maioria dos casos, a falta de conhecimento das deficiências – sua etiologia, manifestações, limitações e possibilidades de tratamento – assim como a falta de preparo e apoio institucional da própria UEB, resultam em desânimo de ambas as partes e a conseqüente cessação das ações.

Neste paradigma, reconhece-se que os atuais programas e estratégias de Escotismo para Todos, ainda, são insuficientes ou carecem de ajustes conceituais e técnicos, tendo em vista a inclusão das crianças e jovens com necessidades especiais. Como afirmamos acima, nos lugares onde existem atividades voltadas apenas a grupos específicos, elas funcionam com programas especiais, instituições especializadas e docentes especializados, estando, portanto, à margem do programa educativo regular – Programa de Jovens – que no nosso país ainda não contempla a inclusão. Admite-se que essas experiências, embora com a maior boa vontade dos participantes, conduzem muitas vezes à exclusão: a diferenciação torna-se uma forma de discriminação, as crianças que têm necessidades especiais acabam por ficar de fora da vida normal de um Grupo Escoteiro, continuando, mais tarde, sua vida social e cultural excluídas da comunidade.

Em 1998, Seniores e Pioneiros dos Grupos Escoteiros Marechal Rondon (108°/RS) e Léo Borges Fortes (80°/RS), no Estado do Rio Grande do Sul, assumiram a primeira atividade do Projeto Basta Passar a Ponte. Trata-se de projeto desenvolvido pela Federação dos Escoteiros Católicos da Bélgica, traduzido e adaptado para as condições brasileiras por uma equipe de líderes e jovens líderes desses Grupos Escoteiros. Desde então, outros 11 G.E.s do Rio Grande do Sul e um do Paraná engajaram-se ao Projeto, que envolve também 9 instituições de ensino do Rio Grande do Sul. O Projeto, que visa “criar as condições necessárias para que, através da capacitação, divulgação e atividades, os Grupos Escoteiros consigam acolher com maturidade e segurança, portadores de necessidades especiais, na busca de uma efetiva integração social” tem crescido e produzido alguma repercussão, principalmente no Rio Grande do Sul e tem encontrado boa receptividade por parte da UEB, que pensa em torná-lo oficial para todo o país.

Fonte: Escotismo


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