Publicado por: Ricardo Shimosakai | 11/12/2011

Diferença entre Deficiência Mental e Doença Mental


Muita gente confunde deficiência mental e doença mental. Essa confusão é fácil de entender: os nomes são parecidos; as situações envolvidas, para leigos, são também parecidas. Mas são duas coisas bem distintas.

Segundo o DSM IV (Manual de Diagnóstico e Estatística de Distúrbios Mentais, edição de 1994), a deficiência mental é caracterizada por:

Um funcionamento intelectual significativamente inferior à média, acompanhado de limitações significativas no funcionamento adaptativo em pelo menos duas das seguintes áreas de habilidades: comunicação, autocuidados, vida doméstica, habilidades sociais/interpessoais, uso de recursos comunitários, auto-suficiência, habilidades acadêmicas, trabalho, lazer, saúde e segurança. O início deve ocorrer antes dos 18 anos.

Ou seja, a deficiência mental, ou deficiência intelectual, não representa apenas um QI baixo, como muitos acreditam. Ela envolve dificuldades para realizar atividades do dia-a-dia e interagir com o meio em que a pessoa vive.

Já a doença mental engloba uma série de condições que também afetam o desempenho da pessoa na sociedade, além de causar alterações de humor, bom senso e concentração, por exemplo. Isso tudo causa uma alteração na percepção da realidade. As doenças mentais podem ser divididas em dois grupos, neuroses e psicoses. As neuroses são características encontradas em qualquer pessoa, como ansiedade e medo, porém exageradas. As psicoses são fenômenos psíquicos anormais, como delírios, perseguição e confusão mental. Alguns exemplos de doenças mentais são depressão, TOC (transtorno obsessivo-compulsivo), transtorno bipolar e esquizofrenia.

O tratamento das duas condições também é diferente. Uma pessoa com deficiência mental precisa ser estimulada nas áreas em que tem dificuldade. Os principais profissionais envolvidos são educadores especiais, psicólogos, fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais. Medicamentos são utilizados quando a deficiência mental é associada a doenças como a epilepsia. Alguns dos profissionais citados também participam do tratamento da doença mental, como os psicólogos e terapeutas ocupacionais. Mas, além deles, é imprescindível o acompanhamento de um psiquiatra. Esse médico coordena o tratamento, além de definir a medicação utilizada para controlar os sintomas apresentados pelo paciente.

Em resumo, a principal diferença entre deficiência mental e doença mental é que, na deficiência mental, há uma limitação no desenvolvimento das funções necessárias para compreender e interagia com o meio, enquanto na doença mental, essas funções existem mas ficam comprometidas pelos fenômenos psíquicos aumentados ou anormais.

É importante destacar que as duas podem se apresentar juntas em um paciente. Pessoas com deficiência mental podem ter, associada, doença mental. Sendo assim, o tratamento deve levar em conta as duas situações.

Fonte: Chá com Sig


Responses

  1. Dá uma olhada http://secretariadoidosoepcdtr.webnode.com.br/news/defici%C3%AAncia%20psicossocial%20-%20a%20nova%20categoria%20de%20defici%C3%AAncia/

  2. Então Ricardo, acho que você precisa atualizar um pouco seu texto. Desde 2002 a APA usa deficiência ‘intelectual’ ao invés de ‘mental’. Agora, um problema aparece qdo a Convenção usa tanto mental qto intelectual para falar de coisas diferentes. Deficiência Mental – ou psicossocial, como apregoa Sassaky, vem como consequência da doença mental, no sentido das barreiras psicossociais que ela enfrenta para reconstituir os laços sociais após o surto.

    []’s
    Edgar

    • Olá Edgar,
      Eu tenho conhecimento a respeito da terminologia usada como Deficiência Intelectual. Porém manti o termo justamente para esclarecer a confusão do termo mental nas duas situações, afinal não se usa doença intelectual. Além disso, ainda é uma polêmica, e ainda muitas entidades que lidam com esse público, preferem chamar de deficientes mentais. Também não modifiquei porque o texto não é meu, só estou replicando. Citei a fonte, então se quiser entre em contato com eles para colocar essa observação. E por final, o termo é secundário, o mais importante são os princípios expostos. De qualquer forma, agradeço a colaboração.


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