Publicado por: Ricardo Shimosakai | 15/04/2012

Anita Malfatti. Sua deficiência física ajudou a encontrar sua vocação artística.


Anita Malfatti, filha do engenheiro italiano Samuel Malfatti e de mãe norte-americana Betty Krug, Anita Malfatti nasceu no ano de 1889, em São Paulo . Segunda filha do casal, nasceu com atrofia no braço e na mão direita. Aos três anos de idade foi levada pelos pais a Lucca, na Itália, na esperança de corrigir o defeito congênito. Os resultados do tratamento médico não foram animadores e Anita teve que carregar essa deficiência pelo resto da sua vida. Voltando ao Brasil, teve a sua disposição Miss Browne, uma governanta inglesa, que a ajudou no desenvolvimento do uso da mão esquerda e no aprendizado da arte e da escrita.

Ainda na infância, falece seu pai Samuel Malfatti, esteio moral e financeiro da família. Sem recursos para o sustento dos filhos, D. Betty passa a dar aulas particulares de idiomas e também de desenho e pintura. Chegou a submeter-se à orientação do pintor Carlo de Servi para com mais segurança ensinar suas discípulas. Anita acompanhava as aulas e nelas tomava parte. Foi portanto sua própria mãe quem lhe ensinou os rudimentos das artes plásticas.

Seus planos incluíam estudos em Paris, mas a situação financeira lastimável da família não permitiu. Foi então financiada pelo tio para acompanhar suas primas à Alemanha, em 1910. Lá entrou em contato com o grupo de vanguarda Die Brucke. Teve como mestres os impressionistas Fritz Burger, e posteriormente Lovis Corinth.

Devido à guerra, as garotas tiveram que voltar ao Brasil, mas não sem antes dar um pulinho na tão sonhada Paris. De volta à Sampa, em 1914, Anita montou sua primeira exposição individual, ao 24 anos. Seu objetivo era conseguir uma bolsa e voltar a viajar, mas por causa da guerra não deu muito certo. Então seu tio novamente financiou sua viagem, dessa vez pra terra do Tio Sam.

Ficou dois anos por lá, voltando em 1916 pro Brasil, cheia de novas telas. Ao mostrar o trabalho para a família, a recepção foi fria. Ninguém gostou daqueles quadros duros, fortes, estranhos. Estavam todos esperando uma pintura acadêmica, quadros de santos. Bem, quebraram a cara. Seu tio, que financiara suas viagem, disse: “mas isso não são pinturas, são coisas dantescas!”

Então Anita montou uma outra exposição individual em 1917. No primeiro dia tudo correu bem, vendeu até 8 quadros. Mas daí o Monteiro Lobato publicou uma crítica no jornal O Estado de S. Paulo, criticando Anita, dizendo que ela tinha se deixado influenciar por Picasso e sua turma. No dia seguinte as telas compradas foram devolvidas e todo mundo passou a atacá-la nos jornais. O primeiro a defendê-la foi o Oswald de Andrade, seguido depois pelo Mário de Andrade, Menotti Del Picchia e Guilherme de Almeida.

Então 1922 chegou, e Anita participou da exposicão da semana de arte moderna com 22 trabalhos, entrando de vez no círculo modernista. Em 1923 faz uma viagem pra Paris, onde permanece por 5 anos, estudando e produzindo. Volta em 1928, e em 29 abre sua quarta individual. A seguir, passa a lecionar.

Nos anos 40, depois da morte de sua mãe e de seu grande e amado amigo, Mário de Andrade, Anita se recolhe em sua chácara em Diadema, onde viverá reclusa até sua morte, em 1964.

Fonte: Mulheres que honram o rolê


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