Publicado por: Ricardo Shimosakai | 26/04/2012

Criança com deficiência é impedida de embarcar em Manaus pela Azul Linhas Aéreas


Ao tentar comprar passagens aéreas na manhã desta segunda-feira (9), em Manaus, para Campinas (SP), onde submeterá o filho de sete anos a um tratamento médico, a psicóloga Rosângela Fernandes foi surpreendida pela informação de uma atendente do SAC da empresa Azul Linhas Aéreas, de que a criança não poderia voar por ser cadeirante e portador de necessidades especiais.

Para ela, houve discriminação por parte da empresa, para com a criança.

“O que atendente alegou foi que o meu filho além de não ter condições de viajar, a aeronave não tinha como comportar a cadeira de rodas dele. Além disso, não me deram uma alternativa de que forma eu pudesse fazer a viagem”, informa Fernandes.

A escolha pela Azul, segundo a psicóloga, se deu pelo fato do destino para o qual ela irá com o filho não contar com conexão, o que ocorre com as outras companhias aéreas.

“Conheço várias mães que já viajaram de Manaus, por outras companhias aéreas com o filho cadeirante ou portador de necessidades especiais, e que não tiveram problemas, ainda que tivessem que enfrentar conexão”, salienta.

Ainda nesta segunda-feira Rosângela tentaria adquirir passagens para viajar com o filho, em outras empresas aéreas, ainda que tivesse que enfrentar conexão. Ela também não descarta a possibilidade de denunciar o caso aos orgãos competentes.

Contato
Em contato com a assessoria de comunicação da empresa, a mesma se comprometeu a procurar a psicóloga, por telefone, e oferecer uma alternativa para que ela e o filho pudessem viajar, para a realização do tratamento da criança, em Campinas (SP).

Rosângela Fernandes desabafa: “Um ato gentil por parte do Diretor Executivo da AZUL em ter me ligado e pedido desculpas por todo o ocorrido, reconhecido que eu estava certa diante do meu posicionamento. Mas existem situações que não conseguem apagar o que sentimos quando passamos por tais situações. Falhas são para serem reconhecidas e mudadas. Estava ansiosa pela viagem, pois estamos vindo de uma Campanha para conseguirmos os recursos para o tratamento. Acredito que a atendente não soube usar as palavras certas para o atendimento, usando de forma negligente quando solicitei maiores informações para o embarque do meu filho. Só queria ter tido o direito de embarcar e conseguir chegar ao nosso destino, na certeza de dever cumprido com todo o processo de Campanha que estamos realizando. Às vezes, os funcionários que não são treinados, acabam por colocar todo um trabalho de conquista pela qualidade no ralo. Não posso silenciar diante de tudo isso! A discriminação surge quando se negam a nos ajudar de alguma forma para facilitar a nossa vida com nossos filhos cadeirantes. A discriminação é o ato de considerar que certas características que uma pessoa tem são motivos para que sejam vedados direitos que os outros têm. Numa palavra, é considerar que a diferença implica diferentes direitos.”

Fonte: A Crítica http://acritica.uol.com.br


Respostas

  1. Logo ao entrar na aeronave tem um acento espefífico pra cadeirantes, mas acredito q eles vendam como espaço azul…q custa 20 reais a mais e qualquer um pode comprar…mesmo sem ser PNE. Qd vc compra eles não te informam q vc ira ocupar um lugar q por lei pertença a um PNE. Acredito que o acento que seria do seu filho, por direito, tenha sido vendido mas q tem tem…tem até o símbolo lá…e as comissárias são bem grossas com q quer sentar lá sem pagar.

    • O assento não é específico para cadeirantes. Na verdade creio que não existe uma obrigação em colocar alguém nas poltronas dianteiras, mas sim uma preferência, mas isso cabe decisão da companhia aerea. Se for deles a decisão em colocar a pessoa com deficiência em assentos VIPs, não se pode cobrar uma taxa extra.

      • Mas a cadeira de rodas não passa pelo corredor da aeronave e também não é possível acomodar uma pessoa que não caminha em outras poltronas que não sejam da primeira fila e corredor.Tem muito pouco espaço nas aeronaves.

        • Dependendo da companhia aérea, há uma cadeira específica para transportá-la entre os corredores. Claro, acomodar nas primeiras poltronas é sempre melhor a todos. Agora ser carregado nos braços, para ser colocado em poltronas no fundo, isso sim não está correto.

  2. Eu sempre viajo pela Azul e este fato é decepcionante, ela não ter um preparo para um portador de necessidade especial viajar, eu vejo outras companhias sempre com várias alternativas para quem precisa viajar, vá á luta e lute por seus direitos, Azul caiu no meu conceito mesmo!

    • Na verdade, este problema não é exclusivo da Azul. Nenhuma companhia aéra brasileira está preparada para atender pessoas com deficiência. Mesmo empresas de outros países, ficam limitadas, pois precisam utilizar as estruturas dos aeroportos brasileiros. Além disso, empresas internacionais, também utilizam ffuncionários brasileiros, que não estão capacitados. O maior problema não é bem a aviação, mas sim nosso país.

      • Realmente cada viagem é uma surpresa!
        Os funcionários não são preparados ou orientados adequadamente.A TAM já cobrou a diferença de assento “conforto” para que pudesse voltar de Vitória-ES com meu marido que é cadeirante.

        • Falta sensibilidade para quem atende. As poltronas dianteiras agora tem uma proposta comercial, onde cobram uma taxa a mais, para quem quiser utilizar seu espaço mais amplo. Esse espaço também é destinado preferencialmente a pessoas com deficiência, porém isentas dessa taxa adicional. Quando for assim, se recuse a pagar, e peça para falar com o supervisor.

  3. Cara Rosagela, faça uso da Justiça e do direito seu e principalmente do seu filho voar sem constrangimento. O exercício da cidadania se faz necessário, mesmo a empresa se desculpando, para que se forme jurisprudência e não se repita mais tais atos. Descriminação é crime!

    Ricardo, sei da sua luta e aplaudo sua inciativa de oferecer qualificação a empresa, espero que a AZUL se espelhe no que acontece no mundo e se digne em contratá-lo para equacionar essa demanfa, é inadimíssivel esse tipo de acontecimento em 2012, principalmente por estarmos próximos de sediar os Jogos Paralímpicos em 2016.

    Há 37 anos cadeirante, já passei por identicas situações, hoje tenho ação contra a GOL, com vitória em 1ª instância, a empresa recorreu, mas acredito que o judiciário manterá a decisão. O único problema é a morozidade da justiça, mas tenho fé e paciência.

    • Acredito que uma das melhores maneiras para fazer com que as melhorias sejam feitas, é que as pessoas com deficiência exijam seus direitos. Desta maneira as empresas conseguem perceber a real necessidade, observando um problema exposto pelo próprio usuário. Quanto mais pessoas exigindo, maior será o peso deste pedido. Eu trabalho par a melhoria da acessibilidade no lazer e turismo, mas se tiver o apoio de todos, com certeza isso terá um retorno mais rápido e eficiente

  4. Querida Rosangela, sou cadeirante ha 17 anos, todo mes voo por varias companhia aereas inclusive a AZUL, infelizmente eu acredito isso ter sido um caso isolado ate por falta de treinamento da tal funcionaria. Mas fica aqui a DICA se por se acaso voce passar por algo semelhante segue o procedimento.

    1- Procurar a ANAC todo aeroporto tem um escritorio e denunciar pois a Anac funciona como um orgao fiscalizador das Aerolineas

    2- Procurar no proprio aeroporto uma DP e fazer um boletim de Ocorrencia

    3- Procurar um bom advogado e processar a Empresa, pois alem de danos morais serve como exemplo.

    • Eu procurei a Azul para tentar acertar as questões de acessibilidade em 2010. No início foram muito interessados e cordiais, e estávamos com um projeto para implantar, porém o tempo foi passando e nada de realmente implacarem isso. É claro que várias coisas acontecem, e que nem tudo pode ser feito do jeito que planejamos, porém háviam certas idéias que não iriam impactar no orçamento, pelo contrário, iam trazer um retorno financeiro direto, e mesmo assim não me deram abertura. Me chamaram novamente para conversar, mas infelizmente agora acho que é mais uma jogada de sociabilização, do que realmente uma vontade em fazer acontecer. Espero que eles me venham provar que estou errado, e que em breve, eu venha aqui pedir desculpa a todos!

  5. ABSURDO………….

    • Ináceitável… uma ignorância, pela brutalidade como o caso aconteceu, e pela própria falta de conhecimento da funcionária

  6. Direitos nós não conseguimos com a aprovação da lei, mas quando fazemos as empresas cumpri-los depois de serem condenadas na justiça. Por favor, mãe, não seja omissa, promova uma ação de indenização por dano moral contra esta empresa, para que aprenda o que é digniadde. E este funcionário coitado!

    • Concordo, é bom exigir os direitos através da lei. Isso faz com que a sociedade comece a perceber sua importância, e ainda você pode ser indenizada pelos danos causados. Receber um dinheiro, e continuar o tratamento do filho. Mesmo a justiça sendo demorada, e que dinheiro não apaga danos morais marcantes.


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