Publicado por: Ricardo Shimosakai | 14/12/2012

Acesso a espaços culturais é desafio para Pessoas com Deficiência em Salvador


Um levantamento feito pelo historiador e designer Jaime Sodré, integrante do Conselho Estadual de Cultura, demonstra que a acessibilidade para portadores de necessidades especiais não é levada em consideração na construção de espaços culturais em Salvador. Apenas seis museus e centros culturais possuem equipamentos que permitem acesso a este público. O levantamento levou em consideração  74 espaços ( museus e centros culturais).

Segundo o Censo 2010 do  IBGE,  perto de 700 mil pessoas apresentam algum tipo de deficiência em Salvador. Nesse grupo estão incluídas as motoras, visuais, auditivas, mental e intelectual.

A dificuldade foi vivenciada pelo estudante Raoni Ramos de Carvalho Santos, de  24 anos. Acometido por paralisia cerebral, o que, dentre outras limitações, prejudicou-lhe a coordenação e força dos membros inferiores, Raoni diz que não se sente à vontade para ir aos centros culturais de Salvador. “Prefiro não sair muito”, diz.

Dificuldade – Convidado pela reportagem, ele aceitou ir conhecer o acervo da Fundação Casa de Jorge Amado, onde estão registros das obras do mais famoso escritor baiano. Mas as dificuldades começaram ao procurar locais para caminhar de forma segura pelo Centro Histórico de Salvador. “É difícil caminhar aqui. Os passeios só têm a parede para nos apoiar”, reclamou o estudante.

Em frente à Casa de Jorge Amado, mais outro obstáculo: os casarões centenários que abrigam o centro cultural e o Museu da Cidade possuem degraus muito altos. O acesso é difícil para a  locomoção dos portadores de deficiência.

Vencer as  escadas causou uma fadiga excessiva em Raoni. “Se tivesse uma rampa, seria bem melhor”, avalia o estudante. O obstáculo só foi vencido com o auxílio da equipe de reportagem e de uma baiana de acarajé.

O encantamento com os objetos expostos no  interior da Casa de Jorge Amado fez com que o desgaste para acessar  o centro cultural fosse momentaneamente esquecido pelo estudante. “Olha a máquina em que ele escrevia. Muito legal”, apontou, empolgado, Raoni.

A intenção da reportagem era levar o estudante a outros centros culturais, mas o cansaço para vencer outras barreiras desanimou o estudante a prosseguir com o passeio.

Estrutura – A assistente social da associação Projeto Incluir, Elisângela Ramos, afirma que as condições de acessibilidade prejudicam a programação de eventos culturais com os pacientes da instituição.  “As pessoas também não estão preparadas para receber os portadores de necessidades especiais”, afirma. A Incluir – onde Raoni realiza atividades de educação física e psicomotricidade – fica na Federação.

Já Moari Castro, coordenador do Núcleo de Formação e Acessibilidade da Diretoria de Museus (Dimus), órgão ligado à Secretaria Estadual de Cultura (Secult) , diz que a instituição tem se preocupado com esta questão. “Em muitos eventos, preocupamo-nos com a interpretação em Libras (Linguagem Brasileiras de Sinais) e audio-descrição”.  Castro lembrou ainda que na 6ª edição da Primavera dos Museus, realizada em setembro passado, a acessibilidade foi tema dos debates.

Fonte: A Tarde


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