Publicado por: Ricardo Shimosakai | 21/12/2012

Porque apostar em acessibilidade é bom para seu negócio


Curitiba ganhou uma opção gastronômica diferenciada nas instalações, no cardápio e no atendimento. O New York Café, localizado na XV de Novembro, é um estabelecimento especializado na culinária americana, com ambiente brilhantemente decorado e que apresenta um conjunto de soluções em acessibilidade de destaque.

Uma série de veículos de comunicação explorou a questão da acessibilidade como diferencial e esses veículos ficaram tentados a chamar o New York Café de “o primeiro café acessível de Curitiba”. Eu estive com Diele Pedrozo e Luiz Santo, proprietários do NYC, que me contaram detalhes da história do empreendimento e compartilharam posicionamentos que nenhum outro veículo explorou.

Afinal, qual é a vantagem em apostar na acessibilidade de maneira séria e holística? Isso dá resultado? Por que fazer isso?

Nenhuma dessas perguntas foi levada em conta no momento de planejamento e idealização do New York Café. As características inclusivas do empreendimento são resultado da vontade de empreender e abrir o próprio negócio, aliada à criatividade genuína da dupla proprietária, somada a uma visão de mercado. A motivação não foi orientada por legislações obrigatórias, mas sim porque a ideia é ser assim. O diferencial é esse.

Diele é professora e coordenadora do projeto Ver com as mãos, uma iniciativa artística e pedagógica do Instituto Paranaense de Cegos. Luiz é um chef apaixonado pela culinária americana, publicitário e tem na bagagem experiências profissionais em diferentes restaurantes do Brasil e do exterior. A união desses dois contextos proporcionou a idealização de um espaço em que “tudo é bom para todos”.

“A minha vivência com alunos cegos me aproximou do mundo da inclusão. Antes de abrirmos o café, eu já observava os obstáculos de acesso que pessoas com deficiência enfrentam e percebia que a vontade de frequentar, de sair, de participar existe, o que não existe é visão para que isso seja possível”, comenta Diele.

O New York Café foi projetado não só para ter as portas dos banheiros largas, ou mesas em boa altura, ou rampas de acesso. É um espaço onde o cliente pode exercer o seu direito pleno de escolha e autonomia.

“Quando trabalhamos no projeto da reforma do espaço, pensamos que cada detalhe deveria ser feito para que qualquer pessoa venha até nós e tenha total condições de ser um cliente autônomo e independente. Do momento da escolha do prato, ao pagamento da conta”, pontua a proprietária.

E nessa missão de oferecer meios de autonomia para qualquer pessoa, a criatividade torna-se uma grande aliada. O café já conta com cardápios em braile e caracteres ampliados, mas isso não é o suficiente para os criadores: “Estamos tentando encontrar alternativas tecnológicas para que o cliente com deficiência visual tenha ao seu dispor um cardápio em áudio, por exemplo, ou possa ouvir a descrição do ambiente do café”, ilustra Luiz Santo.

Atendimento personalizado

Outro pilar importante (até mesmo dentro do desenho universal de acessibilidade do café) é o treinamento que a equipe recebeu e que vem sendo aprimorado pouco a pouco. Para que um cliente com deficiência tenha uma experiência de autonomia, é essencial que quem o atenda também contribua para que isso aconteça e colocar essa ideia em prática pode parecer bem mais simples do que se parece.

Acessibilidade no atendimento
“A ideia de ter algo 100% acessível é um pouco distorcida. Isso vai depender da necessidade de cada pessoa.  Nós respeitamos isso”. A declaração de Diele explica porque a equipe do café trabalhou não só em um projeto arquitetônico diferenciado, mas apostou também no treinamento dos atendentes.

Saber indicar a posição dos talheres, prato e copo a um cliente com deficiência visual, sugerir a mesa com estrutura mais adequada ao cliente cadeirante, atender ao deficiente intelectual sem qualquer diferenciação de tratamento e respeitando o seu ritmo de escolha, ou ainda, receber treinamento básico de LIBRAS.

Esse conjunto de diretrizes faz parte da prestação de serviços do estabelecimento. Ao perceber que teriam que trabalhar com um atendimento diferenciado, os fundadores notaram que o tempo de coleta dos pedidos corria o risco de ser mais lento, o que em partes, pode complicar o fluxo global da prestação de serviço. O risco foi incorporado ao New York Café e acabou se tornando um diferencial relevante. Para Diele ”Os clientes notam essa postura dos atendentes e entendem isso”.

“Vamos imaginar que um atendimento a um cliente com deficiência demore duas vezes mais do que o normal. Se ele for bem atendido aqui, acaba voltando e com isso os atendentes passam a conhecê-lo pelo nome. É claro que isso é bom para qualquer pessoa e no fim das contas, todo cliente que é bem atendido volta e passa a ser chamado pelo nome. Por conta de tudo isso, não estamos sendo comparados a ninguém”, comemora Luiz.

Então vale a pena?
<style=”text-align: justify;”>Alguns amigos já me perguntaram coisas sobre a invisibilidade da pessoa com deficiência. Quem tem alguma deficiência tem mais vergonha de sair? Por que não se vê tanta gente com deficiência na rua? Deficiente vai pra balada?

Retomando o questionamento: é uma boa escolha investir em acessibilidade, pensar nesse público, considerar a pessoa com deficiência como nicho de mercado e achar que isso é diferencial? Muita gente acha que não, inclusive professores acadêmicos, como um que barrou um trabalho de TCC que propunha uma iniciativa muito parecida com o NYC. Saiba os motivos da negação dele, clicando aqui.

Luiz e Diele apostaram e investiram na ideia, inauguraram um estabelecimento que tem uma série de vantagens competitivas únicas e tiveram uma exposição na mídia notável. Foram cerca de 7 reportagens, em veículos impressos, online e de televisão, depois dos 14 primeiros dias de funcionamento. Isso significa aparecer na mídia um dia sim, um dia não, por duas semanas.

Então você, meu caro empresário, ou gerente, que nunca nem pensou nisso, você está perdendo tempo e dinheiro.

New York Café
Rua XV de Novembro, 2916
<style=”text-align: justify;”>De terça à quinta – Das 12h às 20h
Sexta e sábado – Das 12h às 22h
Domingos – Das 14h às 20h

Fonte: Blog Inclusilhado


Respostas

  1. E isso mesmo, pensar no cliente como um todo, o direito de escolha e ter autonomia… Um dos prorietários ja tinha um outro olhar pra questão, é dificil vc mudar a opnião de quem não convive com pessoas deficientes, eles acham que dois centimentros não é nada…. que uma rampa mais elevada sempre tem alguem que ajuda, mas estamos falando em autonomia….. Parabens aos propritários….. respeito…. olhar para o futuro…. eu acho isso maravilhoso de se ler….

    • Insisto a meus colegas com deficiência que o ítem mais importante para gerar uma mudança de comportamento na sociedade, se dará com com todos participando da vida social como qualquer um. Então estar presente, enfrentar dificuldades, se fazer notar, é o que mais impacta. Empresários que passam a respeitar a pessoa com deficiência, geralmente costumam ter resultados positivos acima do que imaginou inicialmente.

  2. No brasil ninguém se preocupa em ajudar o deficiente não, País mal educado !!!!

    • Há pessoas preocupadas sim, porém as vezes estas não tem a atenção merecida, nem o poder de realizar grandes transformações. Quem luta por essa causa é um soldado num exército, e não um super herói


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