Publicado por: Ricardo Shimosakai | 14/01/2013

Maquete tátil proporciona visita com independência para pessoa com deficiência visual


O texto abaixo foi escrito por Naziberto Lopes em sua viagem a Recife, onde visitou a Casa de Cultura de Recife no estado de Pernambuco. Antigo presídio, foi transformado em um mercado de artesanato e comidas típicas da região.

Em meu passeio, o guia falou da importância do local, da história, da arquitetura, enfim, mas uma pessoa cega jamais teria a oportunidade de realmente ver aquilo se não for por meio de uma maquete para que possamos ter verdadeiramente a noção daquilo que os outros estão conseguindo enxergar.

Nesse caso não ocorreu isso, eu pude ver o prédio, pude perceber a arquitetura, a grandeza da obra, enfim, todos os detalhes porque no mercado havia uma maquete  que possibilitou essa minha percepção.

Fui informado que ela foi feita por um antigo detento daquele local e que foi construída com palitos de sorvete. Realmente passando a mão não dá para perceber isso, a coisa é muito bem feita, colada, que parece bem sólida.

É importante destacar que aquele objeto não se destina a inclusão das pessoas cegas, ou seja, ele não foi pensado especificamente para isso, na verdade trata-se de uma obra de arte que fica ali exposta para que todos vejam a criatividade e capacidade daquele artista, mas isso faz uma tremenda diferença na vida de uma pessoa cega que quer conhecer com mais efetividade e compreensão o patrimônio cultural arquitetônico de sua cidade ou, no meu caso, de algum lugar que esteja visitando.

Foi uma surpresa bastante agradável ter passado por essa experiência porque de todos os lugares que visitei naquela cidade, inclusive esticamos até Olinda, que também tem um patrimônio arquitetônico cultural fantástico, de tudo aquele presídio foi o único que eu pude visitar com independência, que eu pude compreender com minha própria percepção, pude ir montando o desenho espacial do lugar em minha mente e consegui ver toda aquela história a minha frente.

É realmente algo bastante inclusivo e cidadão e fiquei lembrando dos projetos que tentamos passar lá na secretaria de estado, sem sucesso. Um deles se tratava de colocar uma maquete tátil, feita especificamente com materiais apropriados para o toque e com escala, em cada prédio histórico, em cada monumento cultural de São Paulo.

Como se tratava de projeto voltado a inclusão da pessoa cega ou com baixa visão, claro que foi rejeitado de pronto, pois a Secretaria é absolutamente incompetente para  lidar com a questão da deficiência visual. A secretaria associa incompetência com descaso e com o desrespeito total ao público com deficiência visual. Isso tudo somado, o resultado foi a negativa para que o projeto fosse adiante.

Mas quero de alguma maneira parabenizar a cidade de Recife, pelo menos naquele sitio histórico, naquele mercado de artesanato, um antigo presídio que abrigava presos políticos, pela possibilidade de eu e muitas outras pessoas cegas conhecermos aquela riqueza. Mesmo não sendo intencional, a inclusão e acessibilidade se fez presente. Quem sabe assim, mesmo sem saber, as coisas vão acontecendo.


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