Publicado por: Ricardo Shimosakai | 29/04/2013

Falta de acessibilidade em igrejas dificulta visitas


Acessibilidade em igrejas (6) - Escadarias complicam acesso de quem tem dificuldade de locomoçãoEscadarias complicam acesso de quem tem dificuldade de locomoção

Assistir uma missa pode se transformar em uma maratona para pessoas com dificuldade de locomoção em algumas igrejas de Salvador. É o que enfrenta uma leitora, que não quis se identificar, para levar a filha cadeirante à Igreja da Piedade. “Lá tem uma rampa, mas é ridícula, porque é íngreme demais. É como se não tivesse”, reclamou.

A Igreja da Piedade não é o único templo católico onde cadeirantes e pessoas com outras restrições de locomoção enfrentam dificuldade para visitar. A Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, construída  no século XVIII e patrimônio arquitetônico, é outro exemplo. Localizada em uma ladeira íngreme, na subida para o Largo do Pelourinho (Centro Histórico), chegar até o templo é considerado um transtorno para pessoas com dificuldade de locomoção.

Para piorar a situação, é proibido o acesso de veículos ao local histórico, portanto enfrentar a ladeira é a única forma de acesso. Se o fiel ou visitante conseguir chegar em frente a igreja, os degraus e falta de rampa na entrada são mais um transtorno para quem tem dificuldade de locomoção.

O mesmo acontece em outras igrejas. “Na minha Paróquia (São Cosme e São Damião, na Liberdade) tem uma rampa, mas não é a ideal. Já escorreguei uma vez. Todo mundo deveria se adaptar”, sugere a diretora de escola, Dilnei Assis, 62 anos, que usa bengala em decorrência de uma doença. Além das igrejas onde a acessibilidade não é pensada, alguns templos oferecem o serviço, mas falta sinalização. Na Igreja da Conceição da Praia, uma das primeiras a ser erguida em Salvador ainda no início da colonização, uma rampa foi montada em uma das laterais, mas não há placa sinalizando o acesso para quem não conhece o espaço.

Acessibilidade em igrejas (3) - Igreja do Bonfim é exemplo positivo de acessibilidade

Igreja do Bonfim é exemplo positivo de acessibilidade

O mesmo acontece na Igreja do Bonfim. O templo passou por uma reforma há cerca de três anos para se tornar acessível. O projeto conta com uma rampa com corrimão, duas vagas de estacionamento para deficientes físicos e elevação de um dos pisos que liga a rampa ao interior da basílica, além de quatro cadeiras de rodas disponíveis.

Apesar de ser um exemplo positivo de acessibilidade, nem todos que frequentam o local sabem da existência da rampa. “Que escada difícil. Uma rampa facilitaria, principalmente para cadeirantes”, reclamava a aposentada Isabel Conceição, 74 anos, enquanto descia com dificuldade a escada para deixar a igreja. Ela é uma das frequentadoras que desconhe o acesso na lateral do templo.

Empecilho – A Arquidiocese de Salvador tem o objetivo de oferecer um melhor acesso às igrejas, mas encontra entraves, de acordo com o ecônomo da entidade, padre Jair Arlego. “Existe esse objetivo, mas a grande dificuldade é que as igrejas onde a acessibilidade é mais difícil são imóveis tombados, onde qualquer procedimento precisa ter aprovação do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). Isso torno o processo lento e às vezes inviável”, explica.

“O problema não existe nas igrejas modernas, que não são tombadas, onde as portas já são largas e a igreja (foi construída) no nível da rua. Já as tombadas são templos antigos, algumas construídas no Centro Histórico, onde a topografia não ajuda”, completa.

Apesar do tombamento dificultar reformas, padre Jair diz que a situação não impede o projeto de acessibilidade. Foi o que aconteceu na Igreja do Bonfim. “Foi uma luta para conseguir a rampa com o Iphan, que não autorizou colocar corrimão nas escadas. Isso seria outra necessidade, mas (a rampa) já amenizou o acesso de idosos, cadeirantes e doentes com dificuldade de locomoção que procuram a igreja em busca de cura e conforto”, explica o padre Edson Menezes, pároco da Basílica do Bonfim.

De acordo com nota enviada pela assessoria do Iphan, a Superintendência Estadual do órgão dispõe de “uma especialista que avalia os processos referentes à acessibilidade nos imóveis tombados. Ela realiza as análises sob o ponto de vista do patrimônio e o atendimento as normas de acessibilidade. Há um interesse por parte do Iphan que intervenções como essas sejam realizadas para facilitarem o acesso aos espaços físicos”.

O órgão ainda informou que é responsabilidade das igrejas enviar ao Iphan os projetos de acessibilidade para aprovação. De acordo com o Iphan, o prazo para análise do projeto é de três a seis meses, seguindo orientação da legislação. O superintendente do Iphan na Bahia, Carlos Amorim, informou, através de nota, que não há projeto de acessibilidade em igrejas em tramitação no órgão.

Fonte: A Tarde

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