Publicado por: Ricardo Shimosakai | 28/09/2013

Amputada supera dificuldades através de 12 passos para criar coragem


Isete Najla, amputada do braço esquerdo devido a um câncer, teve que ter coragem para enfrentar as dificuldades e superarIsete Najla, amputada do braço esquerdo devido a um câncer, teve que ter coragem para enfrentar as dificuldades e superar

Isete perdeu um braço na adolescência e encarou todos os seus medos até se tornar professora de dança. A partir da história dela, conheça 12 passos para enfrentar o medo

Ao se apresentar pela primeira vez diante de uma plateia, é normal o artista sentir medo. Com a empresária Isete Najla, de 36 anos, não foi diferente. Quando encarou o palco pela primeira vez, em um show de dança do ventre, Isete não sabia como iria ser a reação das pessoas. E, no caso dela, havia um motivo a mais para se preocupar: aos 16 anos, a empresária teve o braço esquerdo amputado por conta de um câncer. “Esta é uma arte sensual, que usa muito os cabelos e os braços. Como o público encararia a minha deficiência? E, para piorar, eu ainda sou quase careca”, brinca Najla, que foi aplaudida de pé naquele dia.

Para chegar até o dia de sua apresentação, Najla teve que vencer alguns de seus medos, como a dúvida se conseguiria aprender os passos, além de lidar com a falta de incentivo de um antigo namorado, que a desencorajava a encarar o desafio. Porém, tudo começou a mudar com o empurrãozinho de uma amiga, que indicou um curso, e também o apoio do atual marido. Naquele momento, ela criou coragem e se matriculou para fazer aulas de dança do ventre. “Então eu percebi que a dança vem de dentro para fora, que o importante desta arte é mostrar o que você está sentindo, não importa o seu corpo”, relata ela, que hoje é professora de dança e abriu sua própria academia.

Assumir uma posição diferente da de costume ou tentar algo que não se considerava possível, como fez Najla, define um ato de superação. De acordo com o escritor e pesquisador Luciano Vicenzi, autor do livro “Coragem para Evoluir” (Editares, 2011), a coragem surge quando o indivíduo aceita enfrentar os desafios, sejam eles qual forem – desde uma mudança muito radical de carreira ou uma simples volta em uma montanha-russa.

Mas para conseguir derrotar o medo e assumir posturas antes inimagináveis é necessário administrar as próprias emoções, conforme analisa a psicoterapeuta Maria de Melo, autora do livro “A Coragem de Crescer – Sonhos e Histórias para Novos Caminhos” (Editora Ágora, 2013). “A coragem vem de dentro, do mais profundo da gente. Ela exige estrutura de personalidade, alma forte”. Maria de Melo também cita a importância do autoconhecimento, da análise dos riscos e da humildade para conseguir levar ao pé da letra a expressão “criar coragem” e mudar o rumo das coisas. Veja outras dicas.

1. Conheça você mesmo
Antes de ter coragem para tomar uma determinada atitude, é preciso saber o que de fato é importante para você para depois assumir suas posturas. “É do autoconhecimento que nasce o fator coragem, pois só a partir deste aprofundamento é que o indivíduo tem condições de agir”, afirma o escritor Luciano Vicenzi.

2. Observe seus sonhos
Muitos dos desejos e vontades podem ser “anunciados” nos sonhos, um instrumento importante para o autoconhecimento. “É preciso fazer das horas de sono um tempo precioso, uma fonte de conhecimento e de sabedoria”, indica a psicoterapeuta Maria de Melo.

3. Entenda seus medos
Compreender as bases de seus medos é o primeiro passo para vencê-los e efetivamente criar coragem. “Uma pessoa corajosa não é uma pessoa que não tem medo, mas alguém que não se deixa paralisar por ele”, comenta Vicenzi. Para o autor, um certo nível de receio é normal perante grandes desafios, mas os corajosos se mantêm firmes nas suas decisões.

4. Separe o que é real do que é fantasia
O medo pode ser iniciado a partir de uma condição de ameaça física – o receio de pular de paraquedas, por exemplo – ou psicológica – como uma mudança radical de carreira. No entanto, Vicenzi explica que, muitas vezes, esses riscos estão apenas na mente, ou seja, são baseados somente em crenças, suposições e fantasias. Isso acontece quando uma pessoa começa a namorar e fica pensando: “será que a família vai me aceitar, será que vou conseguir atender às expectativas?”. Entender a base desses medos, se eles são reais ou imaginários, é essencial para vencê-los e criar a coragem necessária para agir.

5. Anote e compare
Colocar os medos no papel ajuda a identificar o que realmente deve ser considerado uma preocupação – e a deixar de lado as meras suposições. “Esta é uma técnica muito boa para separar o que é baseado em fatos e o que é fantasioso”, explica o pesquisador Luciano Vicenzi.

6. Seja humilde
Para a psicoterapeuta Maria de Melo, coragem exige, antes de tudo, reconhecer as próprias dificuldades. “É a humildade que nos dá a força verdadeira”, diz. Ela explica que sem essa qualidade pode-se cair na tentação de culpar somente os outros pelos problemas e medos, e não enxergar a si mesmo como o único responsável pela falta de coragem. Isete Najla deu o primeiro passo sozinha, apesar do apoio de então namorado

7. Mude de posição
Coragem equivale a assumir uma mudança de postura. Isso significa rever atitudes, reconhecer erros e se reposicionar. Desta forma, avalie se o que está fazendo hoje é o que, de fato, o afasta dos seus objetivos. Se a resposta for positiva, pense no que precisa mudar para sair desta situação.

8. Assuma os riscos
Coragem também significa assumir desafios, mas sempre de maneira calculada. “Correr riscos não é ser descuidado ou ter a pretensão de diminuir ou não enxergar o perigo. A coragem tem clareza, vê as coisas e, por isso, é prudente”, aconselha Maria de Melo. No entanto, a psicoterapeuta alerta que a prudência, se passar do ponto, é um medo disfarçado, o que pode nos tornar covardes.

9. Observe por outros ângulos
Enxergar as coisas sob um prisma múltiplo ajudar a entender situações e sentimentos com mais clareza, o que certamente vai contribuir para criar a coragem necessária para mudar. Questione-se, faça o exercício de pensar “por outro lado”. “Entender o que lhe prejudica vale muito para você se compreender e se consertar”, observa a psicoterapeuta Maria de Melo.

10. Converse sobre o assunto
Procurar um grupo ou outra pessoa que já tenha passado pela mesma situação também é uma boa maneira de conhecer mais sobre o assunto e inspira a criar a coragem necessária para se decidir e mudar.

11. Experimente
Muitas vezes, o medo deriva do que é desconhecido. Tem sempre aquele frio na barriga antes de começar, mas depois a coisa acaba fluindo. É como aquela pessoa que tem medo de água, mas dá o primeiro passo e se inscreve num curso de natação. Ela substitui a crença do “será que eu consigo” para o “vou tentar”.

12. Dê o primeiro passo sozinho
Apesar das dicas acima, criar coragem exige uma atitude pessoal e intransferível, por mais apoio que se receba da família, dos amigos e do terapeuta. Foi o que fez Najla ao encarar sua primeira aula de dança do ventre. “O primeiro passo é sempre da própria pessoa. É a vontade dela que desenvolve a coragem. Sem vontade não há coragem”, conclui Vicenzi.

Fonte: Midia News


Respostas

  1. Foi muito bom eu ler este artigo com os 12 para enfrentar o medo, eu estou muito para baixo porque , o medico disse que não é a conselhável colocar a prótese no fêmur, porque o índice de rejeição é de 6%, fiquei muito triste, porque sofro discriminação porque a longas distancias ando de cadeira de rodas, ninguem me convida para eventos literários devido a isso. Fico muito triste e admiro a

    José Luiz da Luz
    Ponta Grossa / PR
    Um eterno aprendizado

    Ela sempre se mostrava com um brilho nos lábios, mas no recôndito banhava o coração numa taça de lágrimas. Dama da noite, dona dos amores num lupanar cheio de volúpias. Seu nome? Limine! Fascinava com a dança dos cabelos soltos, que aspergiam lascívia nas faces dos homens, qual escumas de uma cachoeira furiosa.

    Os copos na mesa pareciam sombrios, que a luz vermelha dos lustres agonizava em fraco cintilar no interior do líquido alcoólico, como que bradasse de escárnio dos delírios dos homens e mulheres sem vida!… Numa sede impura e insaciável.

    A Dama, nas poucas réstias de lucidez questionava: “Quem descobriu o álcool? Um devasso ou o demônio!”. A custo, percebia que o álcool penetrava na lucidez, afogava os sentidos e confundia a verdade. Questionava ainda: “Onde está a verdade? Onde termina a verdade e onde começa a imaginação? Quem sabe onde termina a razão e onde começa o instinto?”.

    Naquela casa o álcool devorava a alma, mas alimentava os animais! Borbulhava a febre nos corações lascivos: Volúpias, sangramentos, quantos tormentos! A noite caia, caia também a paz, caia também a noite, e vinham os homens que também caiam, que deixavam esposas enganadas, que trocavam o leite das crianças por deleite! Que casas!… Que noites horríveis!…

    -Trazem no bolso o suor do trabalho para comprar o suor da lascívia – ora Limine murmurava – Tenho-os visto empalidecerem, parecem que morrem num êxtase de prazer! Mas depois, insaciáveis, vêm novamente. Minha face bela de virgem que fora, agora predestinada a ser uma coisa. A cama, sempre salgada de suores diversos, suarentos famintos deleitam-se no aroma da luxúria, atos remunerados de sexo sem nome, almas anônimas.

    Ao chegar o crepúsculo saia para o lupanar, seu pai Clausus, riscava-se em lágrimas:
    -Eis meu pranto! Porque vejo o licor no teu cálice de orgias e dores. Entre as flores apenas tens os espinhos, e uma trave de carne envenenada de escarlate e dores… Sai desta vida! Nua e bela, a vêem! A filha que fora nívea, transformou-se num vaso de miasmas. Procura um só homem, que te dê conforto!

    E vinha sempre a faminta noite devorando a mente, anestesiando a razão e a coragem. E vinham os homens, trazendo uma lira na boca e páginas em branco, dispostos a escrever todas com devassidão, suores e lascívia.

    -Quantos açoites no meu seio – Chorava a Dama da noite – Estes homens são vermes parasitando as papilas da flor: O fim dos vermes é sugar a seiva, daí vem a facilidade da serpente em dominar na devassidão.

    No afogo, o amor verdadeiro sonhava. Esperava ao menos um Simão Cirineu, que mesmo despojado de amor, que colocasse um pouco de água límpida na sua taça já amarga.

    Uma noite pareceu ser mais briosa, e um aroma estranho na alma sentiu Limine ao aproxima-se de um sujeito novo na casa.
    -És novo aqui, qual teu nome?…- fremente perguntou, sentindo um estranho pulsar do sangue, escoando e rindo nas veias…
    – Primeiro quero conversar! Tira daqui estas garrafas, quero qualquer coisa que não tenha álcool.
    -Vens aqui para quê? Queremos dinheiro, seu moço! – Ouviu-se a voz do cafetão
    – Acaba com essa conversa! Acaso não sabes que aqui as damas só tem ouvidos para as veias de homem? Quando as vísceras queimam nelas do álcool, e o a fronte se avermelha pela lascívia, o sangue aquece, e nas mãos sempre cabe mais dinheiro, é uma causa sanguinária, mas na casa de devassidão é sempre assim.
    -Estou saindo – vacilou o moço – Que importa negócios, são mulheres!

    Limine tentou despistar o desentendido. Fascinada com aquele jovem que aparentava ingenuidade. Pensava: “Um virgem, quem sabe, que tentara uma aventura” De vestes brancas, sereno, um ar de intelectual.

    – Como se chamas? Acaso és um anjo que escorregou do céu para este inferno?
    – Boni é meu nome! Trago uma espada que se chama luz, mas não aproxima de mim com teus mimos lascivos, que a luz pode se ofuscar. Sou adepto da luz, preparei-me nas ermidas sagradas do espiritualismo, preparei-me para mostrar o outro lado da vida. Quero instruir-te, para que a força da luz possa fazer-te domadora do touro que tens no peito, são as algemas que te prendem os sentidos.

    -Aqui poderemos te amar – falou a Dama da Noite, pois, quis testá-lo – só não te ama quem te escuta! Aqui te amam muitas bocas feminis já adaptadas às cantilenas.
    – Não estou mentindo – irou-se Boni – sei que anseiam os suores do bolso, em troca de prazeres de qualquer desconhecido! Aqui não há amor, há amortecimento sensorial, que abrem todas as portas para o inferno, é o reinado da matéria sobre o espírito.

    O jovem sentindo náuseas, do álcool, da fumaça… deu o seu endereço para Limine, e se despediu.

    No recôndito do lar, o jovem moço cismava os delírios daquele perfume, daqueles véus de mulher… A balança começara a estar pendida. Apóstolon divino que pensara ser, preparado às armadilhas sensoriais, estava em conflito interno.
    -Deus! O espírito é preparado na teoria da luz, mas a carne é fraca diante das trevas – empalideceu pela luta interna entre o corpo e o espírito; entre a razão e o instinto; entre o bem e o mau. À insuportável angústia, chamou a mulher para seu lar.
    – Mulher! Descobri que sou capaz de te amar com o espírito, e não apenas com o corpo.

    Ela, porém desabafou todo drama do espírito. Enfim, à noite adormecia com um só homem.

    Na primeira noite, Boni estava num terrível conflito entre seus dogmas intrínsecos de luz e o seu amor por uma prostituta. Já não sabia se era amor ou se fora desejo carnal. Nesse interim, viu uma tristeza na face de Limine. Ela então chorou!

    -Descansa tua mente excitada. Teus conflitos purificarão pouco a pouco o teu espírito. Foste firme enquanto a vida não te provou. É mais fácil o saber, do que o fazer. Enquanto estavas na teoria, havia conforto, mas depara-te agora com tuas provas, e o preconceito dos falsos espiritualistas, dogmáticos, que vão aos templos com a voz rouca e enfebrada, mas com o coração cheio de falsidade. São fetichistas dogmáticos!
    Curvado com as mãos na face, o jovem a acalentava.

    -Temo a morte, eis o fato!.. Que vergonha sinto de ti!… Eu, um exímio estudioso das sendas de luz, porém és tu prostituta que me ensinas! Que absurdo, eu não ter aprendido…

    Limine vendo-o apenas como um menino triste, abraçou-o, com voz meiga:
    -Onde tem mais luz? Nas ermidas e templos sagrados, mas que entre as orações há falsidade, ou num prostíbulo, que entre as orgias há pensamentos sinceros de libertação em busca de luz?

    O jovem viu que o seio da ex-Dama da noite, que antes arrepiava-se de lascívia, arrepiava-se agora do amor verdadeiro. Sabia também, que o seu seio, que conhecia o amor só por teoria, deparava-se com o amor verdadeiro, mas tinha medo.

    Viveram juntos, dias longos, noites longas, amores cálidos… perfeito por algum tempo!… Mas, o perfeito não perdura por muito tempo na terra, empecilhos vieram, como as moscas que entram por uma fresta na sacola de pães.

    Mil vozes internas ferviam no cérebro de Boni. Estavam diante de dois envelopes. Havia uma intuição que teriam que sorver uma taça de licor amargo até a última gota. O primeiro era assinado pela família de Boni. Dizia:
    “Preferiríamos morto, a ver-te casado com uma devassa. Uma vez devassa nunca será uma senhora, e não importa teu coração, é excluída, vergonha para família. És expulso, deserdado, excomungado”.

    O segundo era assinado pela família de Limine. Dizia: “Maldita, fora de muitos homens, mas ficaste com Boni, além de um negro ele é pobre, desvairado em buscar uma tal de luz. Não serás recebida a não ser que abandones o tal rapaz”.

    Caíram de corpo e alma, choraram por amor na intimidade da dor. Boni vociferou.
    -Que importa a pele, uma cor, se o que importa é o espírito. O verdadeiro ser não é o corpo, mas o espírito. Cor não é nada, título, poder, autoridade, tudo ilusão, a morte devora tudo.
    -Voltemos a beber?- perguntou Limine, mas Boni falou.
    -Não devemos cair, desistir jamais! Acabar no seio da terra com o coração cheio de vida e de amor? Mil vezes, não! Ver apagar os sonhos, como se dissipam as nuvens no céu? Ademais, o que é mundo senão ilusões, é como fumaça que de acordo com a imaginação pode formar anjos ou trevosos.
    -Boni, anjos e trevosos existem!
    -Sim! Mas não em fumaças, mas podemos ligar-mos a eles por nossas atitudes!

    A mulher considerou a resposta, como que chocada. Mais tarde respondeu:
    -Queria que existisse uma vela sagrada para poder iluminar os neurônios podres de certa parte da humanidade, onde tudo o que há de mais estúpido e nojento são os preconceitos e a satisfação dos sentidos.
    -Mas esta luz existe, é Deus.
    -Então falta Deus na humanidade? Ah, não preciso nem de tua resposta, eu sei que sim! Porém sempre tu buscaras Deus, por que sofres?
    -Será que eu buscava de verdade? Ou era uma busca fraca, analógica, daqueles que caem na primeira prova? Achava-me um buscador, mas buscadores nunca devem achar que estão na posse total da luz, a vida inteira são buscadores, eu achei que já era iluminado e sábio e foi meu erro. Deus sempre está nos aprimorando, sempre dando provas para nossa evolução. É assim.

    Anos se passaram, e juntos permaneceram desterrados. Unidos por um profundo amor, que só poderia ser espiritual.

    Numa tarde, havia um belo parque, e estavam abraçados os dois sentados numa pedra ao lado de um lago, Boni falou:
    -Veja as nuvens no céu! Lindo? As nuvens formam figuras que debocham dos homens, e eles nem se dão conta disso. A humanidade é irracional. Muitos corações se procuram na mocidade, muitas vezes atraídos só pela beleza, e votam tudo de belo e bom, unem-se apenas pelos corpos mas não pelo espírito, e ao chegarem à velhice, um não conhece mais o outro, nem a dor do outro.

    A mulher olhou também as figuras das nuvens, coincidentemente formou-se um coração numa ponta. Qual fosse um sinal mágico, que só aparece para pessoas especiais.
    -Que belas são as nuvens. Podemos ver corações ou espinhos, depende com que olhos vemos. Deus sabe dos corações humanos, para o ser humano sentir o amor verdadeiro é preciso uma delicada preparação. Um coração despreparado, jamais suportaria um amor puro, tem que ser preparado e muitas vezes é através da dor. Somente um amor verdadeiro é que pode vencer uma luta aparentemente desigual, apenas dois espíritos contra um batalhão. Mas, apenas dois espíritos, quando unidos pelo amor espiritual, adquirem a força de mil, e mil corações lutando contra essa união, transformam-se não mais do que um ninho de ratos.

    Boni ficou estupefato, pela beleza das palavras da mulher. Talvez, nunca esperasse que dentro de um coração que fora devasso, pudesse haver uma semente de uma planta de ouro, latente, apenas a espera de um momento fértil para despertar.
    -Passaste pelo calvário de um prostíbulo, foi tua dor?
    -Sim, eu não precisava passar por lá, mas temos o livre arbítrio. Paguei com sangue e lágrimas pela minha ignorância. Não foi castigo de Deus, foi minha própria hipocrisia, Deus nunca quis que eu estivesse lá, mas nem as que permanecem lá não deixam de ser filhas de Deus.

    Boni e Limine, depois do passeio no parque, saíram abraçados, tendo a certeza de que estavam unidos pelas mãos e pelo espírito. Voltaram para o lar, e a vida continuou!…
    Se perguntarem se superaram os entraves, se acabaram os problemas? Quem saberá! A vida é um eterno aprendizado…
    José Luiz da Luz
    Ponta Grossa / PR
    Um eterno aprendizado

    Ela sempre se mostrava com um brilho nos lábios, mas no recôndito banhava o coração numa taça de lágrimas. Dama da noite, dona dos amores num lupanar cheio de volúpias. Seu nome? Limine! Fascinava com a dança dos cabelos soltos, que aspergiam lascívia nas faces dos homens, qual escumas de uma cachoeira furiosa.

    Os copos na mesa pareciam sombrios, que a luz vermelha dos lustres agonizava em fraco cintilar no interior do líquido alcoólico, como que bradasse de escárnio dos delírios dos homens e mulheres sem vida!… Numa sede impura e insaciável.

    A Dama, nas poucas réstias de lucidez questionava: “Quem descobriu o álcool? Um devasso ou o demônio!”. A custo, percebia que o álcool penetrava na lucidez, afogava os sentidos e confundia a verdade. Questionava ainda: “Onde está a verdade? Onde termina a verdade e onde começa a imaginação? Quem sabe onde termina a razão e onde começa o instinto?”.

    Naquela casa o álcool devorava a alma, mas alimentava os animais! Borbulhava a febre nos corações lascivos: Volúpias, sangramentos, quantos tormentos! A noite caia, caia também a paz, caia também a noite, e vinham os homens que também caiam, que deixavam esposas enganadas, que trocavam o leite das crianças por deleite! Que casas!… Que noites horríveis!…

    -Trazem no bolso o suor do trabalho para comprar o suor da lascívia – ora Limine murmurava – Tenho-os visto empalidecerem, parecem que morrem num êxtase de prazer! Mas depois, insaciáveis, vêm novamente. Minha face bela de virgem que fora, agora predestinada a ser uma coisa. A cama, sempre salgada de suores diversos, suarentos famintos deleitam-se no aroma da luxúria, atos remunerados de sexo sem nome, almas anônimas.

    Ao chegar o crepúsculo saia para o lupanar, seu pai Clausus, riscava-se em lágrimas:
    -Eis meu pranto! Porque vejo o licor no teu cálice de orgias e dores. Entre as flores apenas tens os espinhos, e uma trave de carne envenenada de escarlate e dores… Sai desta vida! Nua e bela, a vêem! A filha que fora nívea, transformou-se num vaso de miasmas. Procura um só homem, que te dê conforto!

    E vinha sempre a faminta noite devorando a mente, anestesiando a razão e a coragem. E vinham os homens, trazendo uma lira na boca e páginas em branco, dispostos a escrever todas com devassidão, suores e lascívia.

    -Quantos açoites no meu seio – Chorava a Dama da noite – Estes homens são vermes parasitando as papilas da flor: O fim dos vermes é sugar a seiva, daí vem a facilidade da serpente em dominar na devassidão.

    No afogo, o amor verdadeiro sonhava. Esperava ao menos um Simão Cirineu, que mesmo despojado de amor, que colocasse um pouco de água límpida na sua taça já amarga.

    Uma noite pareceu ser mais briosa, e um aroma estranho na alma sentiu Limine ao aproxima-se de um sujeito novo na casa.
    -És novo aqui, qual teu nome?…- fremente perguntou, sentindo um estranho pulsar do sangue, escoando e rindo nas veias…
    – Primeiro quero conversar! Tira daqui estas garrafas, quero qualquer coisa que não tenha álcool.
    -Vens aqui para quê? Queremos dinheiro, seu moço! – Ouviu-se a voz do cafetão
    – Acaba com essa conversa! Acaso não sabes que aqui as damas só tem ouvidos para as veias de homem? Quando as vísceras queimam nelas do álcool, e o a fronte se avermelha pela lascívia, o sangue aquece, e nas mãos sempre cabe mais dinheiro, é uma causa sanguinária, mas na casa de devassidão é sempre assim.
    -Estou saindo – vacilou o moço – Que importa negócios, são mulheres!

    Limine tentou despistar o desentendido. Fascinada com aquele jovem que aparentava ingenuidade. Pensava: “Um virgem, quem sabe, que tentara uma aventura” De vestes brancas, sereno, um ar de intelectual.

    – Como se chamas? Acaso és um anjo que escorregou do céu para este inferno?
    – Boni é meu nome! Trago uma espada que se chama luz, mas não aproxima de mim com teus mimos lascivos, que a luz pode se ofuscar. Sou adepto da luz, preparei-me nas ermidas sagradas do espiritualismo, preparei-me para mostrar o outro lado da vida. Quero instruir-te, para que a força da luz possa fazer-te domadora do touro que tens no peito, são as algemas que te prendem os sentidos.

    -Aqui poderemos te amar – falou a Dama da Noite, pois, quis testá-lo – só não te ama quem te escuta! Aqui te amam muitas bocas feminis já adaptadas às cantilenas.
    – Não estou mentindo – irou-se Boni – sei que anseiam os suores do bolso, em troca de prazeres de qualquer desconhecido! Aqui não há amor, há amortecimento sensorial, que abrem todas as portas para o inferno, é o reinado da matéria sobre o espírito.

    O jovem sentindo náuseas, do álcool, da fumaça… deu o seu endereço para Limine, e se despediu.

    No recôndito do lar, o jovem moço cismava os delírios daquele perfume, daqueles véus de mulher… A balança começara a estar pendida. Apóstolon divino que pensara ser, preparado às armadilhas sensoriais, estava em conflito interno.
    -Deus! O espírito é preparado na teoria da luz, mas a carne é fraca diante das trevas – empalideceu pela luta interna entre o corpo e o espírito; entre a razão e o instinto; entre o bem e o mau. À insuportável angústia, chamou a mulher para seu lar.
    – Mulher! Descobri que sou capaz de te amar com o espírito, e não apenas com o corpo.

    Ela, porém desabafou todo drama do espírito. Enfim, à noite adormecia com um só homem.

    Na primeira noite, Boni estava num terrível conflito entre seus dogmas intrínsecos de luz e o seu amor por uma prostituta. Já não sabia se era amor ou se fora desejo carnal. Nesse interim, viu uma tristeza na face de Limine. Ela então chorou!

    -Descansa tua mente excitada. Teus conflitos purificarão pouco a pouco o teu espírito. Foste firme enquanto a vida não te provou. É mais fácil o saber, do que o fazer. Enquanto estavas na teoria, havia conforto, mas depara-te agora com tuas provas, e o preconceito dos falsos espiritualistas, dogmáticos, que vão aos templos com a voz rouca e enfebrada, mas com o coração cheio de falsidade. São fetichistas dogmáticos!
    Curvado com as mãos na face, o jovem a acalentava.

    -Temo a morte, eis o fato!.. Que vergonha sinto de ti!… Eu, um exímio estudioso das sendas de luz, porém és tu prostituta que me ensinas! Que absurdo, eu não ter aprendido…

    Limine vendo-o apenas como um menino triste, abraçou-o, com voz meiga:
    -Onde tem mais luz? Nas ermidas e templos sagrados, mas que entre as orações há falsidade, ou num prostíbulo, que entre as orgias há pensamentos sinceros de libertação em busca de luz?

    O jovem viu que o seio da ex-Dama da noite, que antes arrepiava-se de lascívia, arrepiava-se agora do amor verdadeiro. Sabia também, que o seu seio, que conhecia o amor só por teoria, deparava-se com o amor verdadeiro, mas tinha medo.

    Viveram juntos, dias longos, noites longas, amores cálidos… perfeito por algum tempo!… Mas, o perfeito não perdura por muito tempo na terra, empecilhos vieram, como as moscas que entram por uma fresta na sacola de pães.

    Mil vozes internas ferviam no cérebro de Boni. Estavam diante de dois envelopes. Havia uma intuição que teriam que sorver uma taça de licor amargo até a última gota. O primeiro era assinado pela família de Boni. Dizia:
    “Preferiríamos morto, a ver-te casado com uma devassa. Uma vez devassa nunca será uma senhora, e não importa teu coração, é excluída, vergonha para família. És expulso, deserdado, excomungado”.

    O segundo era assinado pela família de Limine. Dizia: “Maldita, fora de muitos homens, mas ficaste com Boni, além de um negro ele é pobre, desvairado em buscar uma tal de luz. Não serás recebida a não ser que abandones o tal rapaz”.

    Caíram de corpo e alma, choraram por amor na intimidade da dor. Boni vociferou.
    -Que importa a pele, uma cor, se o que importa é o espírito. O verdadeiro ser não é o corpo, mas o espírito. Cor não é nada, título, poder, autoridade, tudo ilusão, a morte devora tudo.
    -Voltemos a beber?- perguntou Limine, mas Boni falou.
    -Não devemos cair, desistir jamais! Acabar no seio da terra com o coração cheio de vida e de amor? Mil vezes, não! Ver apagar os sonhos, como se dissipam as nuvens no céu? Ademais, o que é mundo senão ilusões, é como fumaça que de acordo com a imaginação pode formar anjos ou trevosos.
    -Boni, anjos e trevosos existem!
    -Sim! Mas não em fumaças, mas podemos ligar-mos a eles por nossas atitudes!

    A mulher considerou a resposta, como que chocada. Mais tarde respondeu:
    -Queria que existisse uma vela sagrada para poder iluminar os neurônios podres de certa parte da humanidade, onde tudo o que há de mais estúpido e nojento são os preconceitos e a satisfação dos sentidos.
    -Mas esta luz existe, é Deus.
    -Então falta Deus na humanidade? Ah, não preciso nem de tua resposta, eu sei que sim! Porém sempre tu buscaras Deus, por que sofres?
    -Será que eu buscava de verdade? Ou era uma busca fraca, analógica, daqueles que caem na primeira prova? Achava-me um buscador, mas buscadores nunca devem achar que estão na posse total da luz, a vida inteira são buscadores, eu achei que já era iluminado e sábio e foi meu erro. Deus sempre está nos aprimorando, sempre dando provas para nossa evolução. É assim.

    Anos se passaram, e juntos permaneceram desterrados. Unidos por um profundo amor, que só poderia ser espiritual.

    Numa tarde, havia um belo parque, e estavam abraçados os dois sentados numa pedra ao lado de um lago, Boni falou:
    -Veja as nuvens no céu! Lindo? As nuvens formam figuras que debocham dos homens, e eles nem se dão conta disso. A humanidade é irracional. Muitos corações se procuram na mocidade, muitas vezes atraídos só pela beleza, e votam tudo de belo e bom, unem-se apenas pelos corpos mas não pelo espírito, e ao chegarem à velhice, um não conhece mais o outro, nem a dor do outro.

    A mulher olhou também as figuras das nuvens, coincidentemente formou-se um coração numa ponta. Qual fosse um sinal mágico, que só aparece para pessoas especiais.
    -Que belas são as nuvens. Podemos ver corações ou espinhos, depende com que olhos vemos. Deus sabe dos corações humanos, para o ser humano sentir o amor verdadeiro é preciso uma delicada preparação. Um coração despreparado, jamais suportaria um amor puro, tem que ser preparado e muitas vezes é através da dor. Somente um amor verdadeiro é que pode vencer uma luta aparentemente desigual, apenas dois espíritos contra um batalhão. Mas, apenas dois espíritos, quando unidos pelo amor espiritual, adquirem a força de mil, e mil corações lutando contra essa união, transformam-se não mais do que um ninho de ratos.

    Boni ficou estupefato, pela beleza das palavras da mulher. Talvez, nunca esperasse que dentro de um coração que fora devasso, pudesse haver uma semente de uma planta de ouro, latente, apenas a espera de um momento fértil para despertar.
    -Passaste pelo calvário de um prostíbulo, foi tua dor?
    -Sim, eu não precisava passar por lá, mas temos o livre arbítrio. Paguei com sangue e lágrimas pela minha ignorância. Não foi castigo de Deus, foi minha própria hipocrisia, Deus nunca quis que eu estivesse lá, mas nem as que permanecem lá não deixam de ser filhas de Deus.

    Boni e Limine, depois do passeio no parque, saíram abraçados, tendo a certeza de que estavam unidos pelas mãos e pelo espírito. Voltaram para o lar, e a vida continuou!…
    Se perguntarem se superaram os entraves, se acabaram os problemas? Quem saberá! A vida é um eterno aprendizado…

    • Não creio que a razão por não te convidarem para eventos, seja por você ser uma usuária de cadeira de rodas. Não posso afirmar, pois não lhe conheço bem, mas deve ser seu comportamento, a forma como se apresenta aos outros. Tristeza por não poder utilizar uma prótese? Então as pessoas devem perceber essa tristeza. Precisa mudar seu jeito de enxergar e portar diante a vida. Eu sou cadeirante, feliz com minha condição, e sou convidado para muitos eventos.


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