Publicado por: Ricardo Shimosakai | 08/06/2014

Unifesp testa técnica para recuperação de pessoas com lesão medular


Francisco Moreira, de 25 anos, que passou por cirurgia de implante de neuroestimulador para ajudar na recuperação de movimentosFrancisco Moreira, de 25 anos, que passou por cirurgia de implante de neuroestimulador para ajudar na recuperação de movimentos

Médicos da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) anunciaram nesta quarta-feira (4) a realização de cirurgia inédita no país que permite a pacientes paraplégicos e tetraplégicos recuperarem parte dos movimentos perdidos devido à lesão na medula espinhal.

A técnica consiste na aplicação de eletrodos nos nervos ciático, femoral e pudendo (nervos sacrais), localizados na região abdominal, responsáveis pelos movimentos das pernas e pés e pelo controle da bexiga e do reto.

O procedimento para o implante do neuromodulador usou a videolaparoscopia, em que uma microcâmera é introduzida no paciente pelo umbigo e é pouco invasivo.

Nervos Estimulados“O implante permite que o paciente consiga esticar as pernas e que, com muita fisioterapia, ele treine para ficar em pé e andar”, diz o pós-doutorando em ginecologia da Unifesp Nucelio Lemos, responsável pela cirurgia.

Ele explica que a técnica de abordagem dos nervos por videolaparoscopia foi desenvolvida inicialmente para evitar a lesão deles durante cirurgias ginecológicas. Depois, percebeu-se a possibilidade do implante de eletrodos que estimulassem esses nervos.

O estudante de medicina Francisco Moreira, 25, de Joinville (SC), foi um dos quatro pacientes que recebeu o neuroestimulador na Unifesp. Ele sofreu um acidente enquanto praticava snowboard em Aspen (EUA), em 2009.

Ele conta que, desde a cirurgia, em dezembro de 2013, “muitas coisas melhoraram”. “A sensibilidade dos pés e o tônus muscular da perna aumentaram, e passei a ter maior controle da bexiga.”

Ele também conseguiu mexer as pernas e caminhar na piscina, com apoio.

Francisco usa um tipo de controle remoto que contém seis programações. Quando está em casa, usa o modo ‘repouso’, que relaxa a bexiga e aumenta o tônus muscular. Na fisioterapia, o controle é acionado para esticar uma das pernas, por exemplo.

“Minha expectativa é ficar cada vez mais independente”, diz o estudante.

A neuroestimulação na região sacral já existe desde a década de 1980. A diferença da nova abordagem é o local de implante dos eletrodos. “Em vez de colocá-los na medula, usamos a videolaparoscopia para implantar os eletrodos após a formação dos nervos, possibilitando respostas mais específicas aos estímulos”, diz Lemos.

Alberto Cliquet Jr., coordenador do Laboratório de Biomecânica e Reabilitação do Aparelho Locomotor, da Unicamp, diz que os resultados parecem promissores, mas ainda são preliminares.

Segundo ele, é importante lembrar que há riscos inerentes às cirurgias, como infecção e quebra de eletrodos. “Mas permitir o controle da bexiga e do esfíncter são de extrema importância para esses paciente”, diz.

Fonte: Júpiter

Anúncios

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Categorias

%d blogueiros gostam disto: