Publicado por: Ricardo Shimosakai | 09/06/2014

Deficientes visuais e auditivos do RS driblam barreiras para torcer na Copa


Alunos com deficiência auditiva da Escola Especial Concórdia brincam com a Brazuca, a bola da CopaAlunos com deficiência auditiva da Escola Especial Concórdia brincam com a Brazuca, a bola da Copa

Paixão nacional, esporte integra e motiva pessoas a superar dificuldades. No futebol para cegos, Brasil também é um formador de craques

A emoção de uma Copa do Mundo vai muito além de assistir aos jogos e ouvir a explosão da torcida no momento do gol. A força do maior evento de futebol mundial tem o poder de romper barreiras, mesmo as colocadas pelas limitações físicas. Apesar das dificuldades, deficientes visuais e auditivos também torcerão pela seleção brasileira, como mostra a reportagem especial do Jornal do Almoço.

Na Escola Especial Concórdia, em Porto Alegre, alunos com deficiência auditiva torcem, se emocionam e sonham com a conquista do hexa, assim como qualquer outro brasileiro. Lá, o futebol também é assunto frequente, mas em um linguagem diferente: a Língua Brasileira de Sinais (Libras).

Por meio dos gestos, os alunos elegem seus ídolos no futebol. Ronaldo, David Luiz, Marcelo e Julio César são alguns dos jogadores citados. Mas para Para Fabrício Ramos, professor de Educação Física e deficiente auditivo, o maior ídolo da seleção é o técnico Felipão, morador da cidade.

– O Felipão, ele sabe tudo, tem muita experiência, muita pesquisa – diz.

Segundo a diretora da escola, Hiltrud Elert, a maior dificuldade para os deficientes auditivos não é se encaixar na sociedade dos que ouvem. O problema está nas pessoas que ouvem e não querem “entrar” no mundo dos surdos.

– O surdo ele não é diferente, ele é igual a todo mundo. Ele apenas se comunica de forma diferente, através de libras, através das mãos. Eles torcem, fazem álbuns de figurinhas, falam de jogadores, têm seus ídolos. É uma relação com o futebol que todos os brasileiros têm – destaca.

Essa relação como o futebol, no entanto, parece não ser recíproca. No Brasil, são raros os estádios ou transmissões de futebol que incluem deficientes visuais e auditivos. Na Copa do Mundo, apenas quatro oferecerão o serviço de audiodescrição, e o Beira-Rio não está entre eles.

– Os estádio precisam ter mais paz, mais união entre os amigos. Não pode se diferenciar brancos, surdos, negros, todos são pessoas iguais. Os estádios precisam ser mais animados – ensina a diretora.

Craque do futebol para cegos

Mas a paixão pelo futebol não fica restrita ao ato de torcer. Não são poucos os deficientes visuais, por exemplo, praticantes do esporte. E como nas outras modalidades, no futebol para cegos o Brasil também produz seus craques. Um exemplo é o gaúcho Ricardo Alves, jogador da seleção brasileira de cegos eleito o melhor do mundo em 2006.

Embora admita que possua, sim, certa limitação em relação a atletas que não têm deficiência, Ricardinho acredita que conseguiu se adaptar bem ao esporte específico para cegos.

– Eu entendo a incredibilidade das pessoas com o fato de eu jogar futebol. Se eu não fosse cego e não jogasse, eu duvidaria muito que os atletas cegos fizessem o que fazem – conta o volante, que explica as adaptações no esporte.

– A bola tem um guizo e a gente se baseia pelo som dela. O goleiro enxerga normal e ajuda a orientar o setor defensivo da equipe. O treinador fica na metade da quadra e orienta os jogadores. Atrás do gol onde vamos chutar, fica uma pessoa que é nomeada de chamador. Quando ele chama, a gente sabe a referência de onde está o gol – completa Ricardinho.

– A primeira regra fundamental é o silêncio dentro e fora da quadra para eles escutarem o barulho da bola. A lateral da quadra é fechada com bandas e a bola só sai na linha de fundo. Quando eles vão na bola, eles tem que falar, caso contrário pode até ser considerado uma falta. Eles perdem na visão e ganham na audição – acrescenta o técnico Rafael de Dorneles.

O que não muda para os cegos é emoção de marcar um gol ou testemunhar um lance genial de algum craque. O presidente da Associação de Futebol para Cegos, Pedro Beber, conta que tem gravado na memória um gol da seleção em Copas do Mundo.

– Acho que foi o jogo do Brasil contra a Itália em 1982, o segundo gol do Falcão.  Eles vieram trocando passes e o Falcão fez o gol da entrada da área. Não vi, mas está gravado. A descrição, a narração foi inesquecível. Não vi e não esqueci – recorda.

A torcida de Ricardinho pelo hexa também é a mesma.

– Eu desejo boa sorte para a seleção brasileira na Copa, que todos os nossos jogadores estejam iluminados nesse campeonato, que o nosso treinador também saiba as melhores opções para a equipe. Estou torcendo aqui, vou estar acompanhando e desejo que Deus abençoe toda a nossa equipe – conclui.

Fonte: Globo Esporte

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