Publicado por: Ricardo Shimosakai | 31/07/2014

Deficiente aprovada em intercâmbio quer obter direito de viajar com a mãe


Estudante com deficiência quer fazer intercâmbio com acompanhante pelo Ciência Sem FronteirasEstudante com deficiência quer fazer intercâmbio com acompanhante pelo Ciência Sem Fronteiras

A estudante de biologia Aline Santos, 20 anos, portadora de uma doença degenerativa, aguarda decisão da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) para ser acompanhada pela mãe durante o programa de intercâmbio Ciência sem Fronteiras. A universitária, aprovada no edital de janeiro, afirma que, inicialmente, teve o pedido negado, mas, nesta terça-feira (22), recebeu uma ligação da fundação do Ministério da Educação que trouxe esperanças.

“Recebi uma ligação da Capes nesta manhã e a pessoa se identificou com diretora de Relações Internacionais. Disse que era para eu me acalmar, que sabem da minha necessidade e que o meu caso seria resolvido da melhor forma”, contou a estudante que cursa o sexto período na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-Minas), em Belo Horizonte. A universitária pede que a viagem da mãe seja financiada pelo programa.

De acordo com Aline, durante a inscrição para o programa, ela declarou ser deficiente física e, em uma das etapas, informou que precisava de acompanhante. O motivo é a limitação motora causada pela atrofia muscular progressiva tipo 2. A doença foi diagnosticada na gravidez e manifestou sinais desde os primeiros meses de vida.

A universitária conta que, após enviar mensagens sem retorno para a Capes, entrou em contato por telefone com a Diretoria de Relações Internacionais da Capes, no dia 17 de julho. Um funcionário, segundo ela, disse que não poderia ser aberta uma exceção para o caso. E que, além disso, o programa oferecia profissionais capacitados para auxiliá-la no exterior. Desde então, as incertezas aumentaram. Por meio de nota a Capes informou que oficialmente não foi dada resposta negativa à estudante.

A universitária diz que espera uma resposta favorável e questiona a falta de planejamento para atender casos como o dela. “Eu acho que é um descaso, porque hoje em dia fala-se tanto em inclusão. E deram uma resposta que é inviável, que estão oferecendo profissionais capacitados”, disse. De acordo com a mãe, Aline tem até o dia 15 de agosto para embarcar.

A instituição escolhida é a Universidade de Kentucky, nos EUA. A decisão levou em conta informações sobre a acessibilidade da escola. A bolsa de graduação no exterior é de 12 meses, com benefícios como mensalidade, auxílio-instalação, auxílio-material didático, passagens áreas e seguro saúde para o estudante.

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) informou nesta terça-feira (22) que, pela excepcionalidade, o caso de Aline está sendo avaliado, mas ainda não há uma resposta oficial. Até a publicação desta reportagem, a fundação não confirmou se houve a ligação da diretora de Relações Internacionais nesta terça-feira (22). Informou que o caso foi encaminhado para a presidência da autarquia.

Atualmente, em Belo Horizonte, a estudante de biologia se locomove em uma cadeira motorizada e tem a rotina em casa e na faculdade acompanhada pela mãe Rosemary Castro, 54 anos. “Se eu não for, ela não tem condição de ir, porque ela é 100% dependente”, disse. Segundo a dona de casa, os cuidados diários incluem auxílio na higiene íntima, na alimentação e massagens para reduzir o risco de trombose. É Rosemary quem acompanha a estudante diariamente. Aline é levada pela mãe até a faculdade, que aguarda para ajudar em atividades como ir ao banheiro ou se alimentar e retorna no fim do turno para buscá-la.

“Ela tem uma vontade de viver tão grande, sempre passou por vários obstáculos e superou todos. Tem uma persistência incrível e que se especializar em doença generativa. Ela precisa concluir este sonho”, disse Rosemary. Emocionada, diz que a filha “tem certeza” de que tudo vai dar certo. A mãe acha importante acompanhá-la, ao menos, durante o primeiro mês de intercâmbio.

A estudante espera uma reposta favorável que permita a realização do sonho de estudar no exterior e se qualificar na área escolhida. “Entrei na faculdade pensando na área de pesquisa e gostaria de me especializar em área de doenças degenerativas. Não custa nada para o governo. Eu preciso de acompanhante e só quero estudar”, disse.

Fonte: G1


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