Publicado por: Ricardo Shimosakai | 19/09/2014

E a acessibilidade para anões e outras pessoas de baixa estatura?


Em museus e exposições, muitas das peças estão em altura elevada ou de difícil visualização.Em museus e exposições, muitas das peças estão em altura elevada ou de difícil visualização.

Acessibilidade é muita coisa, mas na verdade é uma só. Diria que é a arte de contemplar a diversidade humana para que todos possam ter conforto, segurança e autonomia. E podemos considerar “arte” porque envolve criatividade, além do conhecimento. A criatividade é necessária para sempre buscarmos soluções mais adequadas e humanas, além das normas e leis.

Essa introdução casa muito bem para as pessoas de baixa estatura, que pouco são lembradas quando falamos de acessibilidade. Principalmente, no que se refere às normas técnicas que apresentam os parâmetros de acessibilidade. Quando na teoria não há parâmetros, na prática, se omitem das soluções. Segundo a Associação Gente Pequena do Brasil existem atualmente 200 tipos e 80 subtipos de nanismo, sendo a acondroplasia o mais comum. E a cada 25 mil nascimentos, um pode ser anão, sem necessariamente haver hereditariedade.

Mas o que querem essas pessoas? Assim como todos, dignidade no uso dos espaços do dia a dia: locais urbanos, de trabalho, de lazer e de descanso. É verdade que algumas coisas pensadas para usuários em cadeira de rodas ajudam essa parcela da população, mas digamos que, por tabela, e não por dedicação ao tema.

Pessoas com baixa estatura terão dificuldades no alcance manual e visual e em vencer desníveis. Um simples interfone na entrada de um edifício já é uma barreira, fazendo com que tenham que pedir ajuda de alguém que passa na rua, por exemplo. Um caixa eletrônico, mesmo aquele feito para o cadeirante, geralmente é alvo de reclamação. Não há privacidade no uso: quem está atrás de você vê tudo na tela. Isso quando a posição da tela não prejudica a visualização pelo reflexo existente. Uma escada de acesso pode ser um percurso bastante desconfortável e cansativo. Suas articulações são exigidas ao máximo todos os dias, no estica e puxa, na ponta dos pés, no alcance dos dedos do último botão do elevador. Desgastante, não?

Se na sua empresa há um anão, procure saber o que ela precisa e busquem soluções juntos. Às vezes, um simples banquinho em locais-chave pode ser suficiente, até que outras ações mais complicadas possam ser programadas.

Se o seu objetivo é garantir um espaço para todos, sem saber exatamente quem virá, tenha em mente as alturas de alcance e visualização. Um balcão mais baixo para poder ver quem atende; a maçaneta do tipo alavanca que não exige tanto da articulação; uma pia no coletivo em altura mais baixa e uma bacia fixa na parede que pode ser instalada em altura mais adequada; e a altura e posição de acessórios como saboneteiras e papeleiras.

Pensar na diversidade torna os espaços mais humanos. A raiz dessa ideia não é moderna ou contemporânea e sim muito antiga que, acredito, temos esquecido (arquitetos, engenheiros, desenhistas industriais… e tantas outras profissões). Afinal, “O homem é a medida de todas as coisas”, já dizia Protágoras.

Fonte: Vida Mais Livre


Responses

  1. Òtima matéria, passo diariamente por dificuldades (na questão de altura), trabalho e estudo, portanto estou em vários lugares diferentes ao longo do dia, creio que a acessibilidade deve ser pensada para todos!! (pessoas amputadas, com malformação congenita, talidomida e…) também tem as mesmas dificuldades de nós anões!!

    • A dificuldade de alcance e visualização, no apertar de uma campainha ou para enxergar o palco de um teatro. Algumas vezes, até abaixam o botão da campainha para que um cadeirante tenha acesso, mas nunca vi algo para que anões e pessoas de baixa estatura também tenham condições


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