Publicado por: Ricardo Shimosakai | 12/11/2014

Acessibilidade em restaurantes ainda tem falhas


Rampas móveis minimizam a falta de acessibilidade, porém não é o que a legislação considera como adequadaRampas móveis minimizam a falta de acessibilidade, porém não é o que a legislação considera como adequada

Esta matéria foi produzida para o Jornal da Gazeta da TV Gazeta, transmitida no dia 30/10/2014 às 19:00 e conduzida pelo repórter Luciano Penteado

Acessibilidade! Nossa equipe testou alguns bares e restaurantes de São Paulo para saber se eles são acessíveis para pessoas com deficiência. Só este ano, a prefeitura registrou quinhentas e setenta e oito reclamações e aplicou trezentas e catorze multas.

Um tiro durante um sequestro relâmpago a 13 anos mudou a vida do agente de viagens Ricardo Shimosakai. Ele perdeu o movimento das pernas e passou a usar cadeira de rodas. Além da dificuldade de se locomover pela cidade, o hábito de sair para comer for mudou radicalmente.

“No começo eu pesquisava primeiro pelos locais que tinham acessibilidade, depois para decidir aonde eu gostaria de ir. Eu estava deixando de frequentar muitos lugares que eu gostaria. Então eu decidi mudar meu perfil, vamos dizer assim, e ir em qualquer lugar que eu queira”, comentou Ricardo.

Dois Decretos, um Federal e outro Municipal, definem as regras de acessibilidade. A principal adaptação é a rampa de acesso. Colocamos um microfone em Ricardo, e fomos verificar a situação em alguns restaurantes.

No primeiro, a rampa não existe, e o espaço reservado para cadeirante não é adequado. Nossa equipe foi até o restaurante. O funcionário confirmou que esse é o espaço no térreo destinado aos cadeirantes, mas a altura do balcão é muito elevada.

“Só tem espaço lá em cima?”, pergunta Ricardo, “infelizmente”, responde o funcionário.

No outro estabelecimento, a rampa existe, mas ela é móvel e feita de metal.

“É preciso usar mais, porque senão ela vai ficar enferrujada”, orienta Ricardo ao funcionário sobre a rampa.

O sócio confirma que a rampa só é utilizada em casos especiais.

“Vem muita gente de idade, então fica melhor mesmo chegando a pessoa que precisa de acessibilidade, a gente já abre aqui rapidinho”, explica Renato Leite, sócio do restaurante.

Em um terceiro restaurante os funcionários mostraram iniciativa, e ergueram a cadeira de Ricardo para ele entrar. A rampa móvel não foi utilizada, e a exemplo da primeira, não fica visível para quem passa na calçada. O responsável não quis gravar entrevista, mas considera a rampa adequada. Não é o que diz o Decreto, pela regra as rampas precisam ter piso tátil e corrimões. O Decreto também determina que os estabelecimentos também ofereçam cardápios em Braille para os deficientes visuais, e ainda assentos especiais para clientes obesos. 5% da mesas e cadeira necessitam ter recuo entre elas para as cadeiras de rodas e os sanitários precisam ser adaptados.

Ricardo também testou os banheiros nos restaurantes visitados, e achou a estrutura razoável. A fiscalização municipal é feita pela Secretaria de Coordenação das Subprefeituras. A multa pelo descumprimento pode chegar a R$6.090,00, e pode ser aplicada mensalmente até que o estabelecimento se adeque à lei. Só este ano foram cadastradas 578 reclamações e 314 multas foram aplicadas.

“Para mim vejo que a coisa é tudo muito amadora”, finaliza Ricardo.

Fonte: TV Gazeta


Respostas

  1. ola, bom dia Ricardo!! costumo ler os interessantíssimos artigos que vcs enviam.meu marido tem distrofia muscular e passa por várias situações citadas. gostaria de saber se posso ter uma informação sobre acessibilidade? vamos viajar, SDQ, para Porto Alegre e temos algumasperguntas. como podemos trocar isso com vc? grata pela atenção, Rosa

    Date: Wed, 12 Nov 2014 13:00:34 +0000 To: r.holzer@hotmail.com


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