Publicado por: Ricardo Shimosakai | 20/05/2015

Hotéis devem melhorar acessibilidade


Ricardo Shimosakai tem projetos eficientes para organizar a acessibilidade na hotelaria, mas é preciso a aceitação do mercadoRicardo Shimosakai tem projetos eficientes para organizar a acessibilidade na hotelaria, mas é preciso a aceitação do mercado

De acordo com o IBGE, o Brasil tem 45,6 milhões de pessoas com deficiências. A maioria dessas pessoas estão aptas a viajar e muitas são ótimos turistas em potencial. Mas na hora de escolher um destino, o viajante com deficiência procura locais que estejam prontos para recebê-lo, com estrutura adequada e profissionais preparados a lidar com todas as situações.

A MalaPronta.com, um dos principais canais de reservas online do país, tem procurado reforçar as parcerias com hotéis adaptados e que ofereçam as melhores estruturas para os hóspedes com deficiência. O diretor geral da empresa Turismo Adaptado, Ricardo Shimosakai, que também é consultor em acessibilidade e turismo, aponta dados curiosos, outros preocupantes, e conta que o turista com deficiência representa um ótimo nicho de mercado a ser bem desenvolvido no país.

Segundo Shimosakai, o Brasil vem melhorando muito a estrutura para receber esses turistas e pode ser considerado referência quando em comparação com outros países da América do Sul, mas ainda há muito a ser feito. ”Comparando em relação aos outros países da América do Sul, o Brasil está muito bem, mas em relação à América do Norte, Europa, ainda deixa a desejar”.

O consultor aponta que os hotéis estão cada vez mais preparados para receber o turista com deficiência, mas que a velocidade de adaptação é muito lenta e que a maioria ainda não cumpre a lei que exige acessibilidade. “A Turismo Adaptado está organizando a hotelaria brasileira para o turismo acessível, identificando quais as acessibilidades que o hotel realmente possui, e prestando consultorias para adequá-los”, afirma. Ele lembra que o principal problema é a clareza de informação. “Por exemplo, alguns hotéis dizem que possuem cadeira de banho, que na verdade é uma cadeira de plástico da piscina que colocam embaixo do chuveiro – e a cadeira de banho não é isso. Para não culpar somente o mercado, também falta informação do turista com deficiência, em dizer qual a necessidade dele, para que o local consiga atendê-lo adequadamente. É isso que nós fazemos no agenciamento de viagens, verificando os desejos relacionados ao turismo, e as necessidades relacionados à deficiência, para que ele seja plenamente atendido”, explica Shimosakai.

Além da acessibilidade nos hotéis, é preciso que as cidades também estejam adaptadas em todos os sentidos. “É preciso que o transporte, atrativos turísticos, guias de turismo, restaurantes, enfim, todos os itens que compõem uma viagem sejam acessíveis”, alerta o consultor.

Bons exemplos

Ricardo Shimosakai aponta que há destinos no Brasil que estão muito bem preparados para o turismo adaptado. “Podemos citar Bonito, Foz do Iguaçu, Gramado, Natal, Rio de Janeiro, São Paulo como as cidades mais acessíveis para o turista com deficiência no Brasil”. Os destinos mais procurados são os mesmos buscados pelo turista convencional, afinal o desejo como turista é igual para todos. “Porém nós aconselhamos a pessoa a procurar lugares mais interessantes, mais prontos para recebê-los. Por exemplo, um casal de cegos nos procurou querendo ir para a Amazônia. Eu perguntei qual a razão de escolher a Amazônia, se tinha algo específico no destino, que só poderia conhecer lá, ou se estavam procurando por um destino de natureza. Pois se fosse só por conhecer a natureza, Bonito seria muito mais interessante, mais preparado para recebê-los e no final das contas mais barato, pois eles eram do Rio Grande do Sul”, exemplifica o consultor.

Mas ele lembra que o preconceito ainda existe. “Apesar de o brasileiro ser um povo muito amistoso, ainda há muito desrespeito. A pessoa com deficiência geralmente dá mais valor à forma como é tratada do que propriamente à acessibilidade”, garante. No entanto, ter uma boa estrutura e não ter um pessoal preparado não adianta. “Alguns lugares possuem plataformas elevatórias, mas que precisam ser acionadas por um funcionário. Infelizmente é muito comum que o funcionário não saiba operar o equipamento, sem contar que também a falta de manutenção provoca a inutilização do maquinário”, conta.

Por fim, o consultor em turismo adaptado lembra que “mais do que uma obrigação – pois a acessibilidade está prevista em lei, e quem não a cumpre pode sofrer penalidades – o turismo acessível é muito vantajoso”. Os números não deixam dúvidas: em todo o mundo são mais de um bilhão de pessoas com algum tipo de deficiência. Uma parte significativa delas está apta a viajar. Isso é comprovado em países desenvolvidos, que movimentam bilhões de dólares e euros anualmente com viagens nesse segmento.

Fonte: Jornal de Turismo


Responses

  1. Pra mim, nesse numero de 45 milhoes de deficientes, nao deve ter bem 10% de pessoas com mobilidade reduzida, a maioria tem hernia de disco, pino nao sei a onde, problema no coracao etc e a Lei fala que é deficiente, aí a pessoa corre atrás pra ter beneficios tributarios e pra parar o carro na vaga de deficientes. Se realmente tivessem 45 milhoes de deficientes de verdade, os hoteis já estariam adaptados

    • A pesquisa do Censo do IBGE poderia ser melhor preparada, concordo. Mas que há milhões de pessoas, que realmente possuem deficiência, isso é verdade. Mas às vezes números não fazem acontecer. Os hotéis geralmente não se importam na quantidade de pessoas existentes, e sim do quanto de dinheiro entra em caixa, ou senão quando alguma punição acontece.


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