Publicado por: Ricardo Shimosakai | 30/08/2015

‘Pedi para meu marido procurar outra’, conta jornalista após ficar tetraplégica


Em relato à BBC, colunista de jornal britânico que sofreu acidente de cavalo há cinco anos, conta que não consegue aceitar deficiênciaEm relato à BBC, colunista de jornal britânico que sofreu acidente de cavalo há cinco anos, conta que não consegue aceitar deficiência

A jornalista Melanie Reid ficou paralisada em um acidente de cavalo há cinco anos.

A casa de Melanie, autora da coluna Spinal Column no jornal britânico The Times, fica escondida no interior da Escócia.

Apesar de o acidente a ter deixado com movimento mínimos nos braços e nas pernas, a casa permanece sem adaptações que costumam ser consideradas úteis para deficientes: não há bancadas baixas na cozinha ou tomadas adaptadas.

Reid acha que fazer essas mudanças significaria que ela aceitou sua deficiência – e ela continua lutando para superá-la.

Há cinco anos, Reid tinha chegado ao ponto exato de sua vida em que, diz ela, queria estar, fazendo exatamente o que queria fazer.

Era um jornalista de sucesso, com um marido carinhoso e um filho que estava indo bem na vida. Eles se mudaram para uma casa no campo, com uma bela vista e estábulos para os seus amados cavalos.

Reid era quem costumava pensar no futuro e liderar – era conhecida como uma mulher prática, resolvedora de problemas.

Acidente

Foi cavalgando que o acidente aconteceu. Galopando em direção a um obstáculo, o cavalo empacou. Ela tentou se agarrar ao pescoço dele, mas foi jogada para o alto e caiu sobre o obstáculo com os braços para trás. Seu rosto bateu no chão e o corpo foi torcido.
A ruptura não foi completa; por isso, Reid poderia recuperar parte dos movimentos

Quem viu o acidente diz que a queda pareceu inofensivo e em câmera lenta. Ela não perdeu consciência e diz que experimentou sensações inacreditáveis no momento.

“Senti calor e beleza em meu corpo, e vi um brilho vermelho em meus olhos. Era o computador desligando”, diz.

Ela passou quase um ano no hospital, trabalhando com determinação para ganhar o máximo de movimento possível. A ideia para a nova coluna no jornal de fim de semana foi concebida durante uma ressonância magnética.

“Preciso contar para as pessoas sobre isso, preciso descrever isso”, ela lembra de pensar.

Escrever sobre a sua deficiência, frustrações e batalhas para fazer atividades diárias virou uma forma de terapia. Ela diz que também foi uma forma de recuperar parte de seu poder, até porque ela precisava pagar as contas – Reid sempre foi o arrimo da família.

‘Presa’

Ela sabe que declarar publicamente que não consegue aceitar suas limitações físicas irrita e casa indignação entre alguns de seus leitores deficientes, e diz que eles se ressentem dela, porque diz que lamenta “estar presa à deficiência”.
Reid disse que marido poderia procurar outra e também pediu que o filho se afastasse

Ela já escreveu sobre as sessões de fisioterapia constantes que permitiram que ela arrastasse seus pés por alguns passos, e sabe que alguns deficientes se sentiram traídos, como se não estivessem se esforçando suficientemente.

“Alguns têm a sensação de que estou decepcionando por ‘ser uma pessoa que anda’,”, diz ela.

A ruptura na espinha de Reid não foi completa, o que significa que ela tem algum movimento no corpo, e vive com o que chama de “tortura da possibilidade” todo dia.

Ela se pergunta por que não consegue se mover um pouquinho mais, ou melhorar um pouco mais, e imagina que as pessoas com lesões completas na coluna não precisam viver com essa tortura.

Pouco depois do acidente, Reid reconheceu que não poderia mais ser a “resolvedora de problemas” da família. Ela diz que o marido Dave, que era o divertido, teve que assumir o papel dela. Foi uma grande mudança.

‘Pedaço de carne’

Reid deu a Dave a chance de desfazer o casamento. Reid disse que ele poderia ficar com outra mulher, alguém que pudesse fazer sexo com ele, alguém para conversas e ser feliz, alguém que não fosse apenas “um pedaço de carne”. Ele respondeu: “Não seja idiota. Não vou a lugar nenhum.”

Ele também sentiu grande parte da perda e sofrimento de Reid, admitindo que, às vezes, ficava triste vendo um casal caminhando na rua.

De forma semelhante, ela pediu que o filho se afastasse, para evitar que se sentisse preso. Agora, ele mora na Nova Zelândia, e Reid tenta não escrever e só fala com ele quando está tendo um dia ruim. Ela quer que ele pensa nela como “a mãe que conseguia fazer as coisas”.

Reid pensou que não haveria mais assunto para a sua coluna quando voltasse para casa, mas devido à demanda popular continua escrevendo.

Ela acha difícil falar sobre qualquer coisa positiva que tenha decorrido do acidente.

Para ela, continuar sendo a mulher teimosa em sua casa não adaptada é, no momento, muito importante. Mas ela não descarta algumas mudanças no futuro, talvez quando tiver selado a paz com a própria deficiência.

Fonte: Midia News


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