Publicado por: Ricardo Shimosakai | 03/10/2015

Paraplégico caminha quatro metros com ajuda de ‘leitor’ da mente


Em estudo preliminar, paciente andou cerca de 4m, com apoio (Foto PA)
Em estudo preliminar, paciente andou cerca de 4m, com apoio (Foto: PA).

Um homem com paralisia conseguiu recuperar parte do controle sobre as pernas e caminhar com apoio usando um aparelho que “lê” o cérebro, de acordo com cientistas.

Depois de capturadas, as ondas cerebrais do paciente foram interpretadas por um computador, que então enviou estimulação elétrica aos músculos de sua perna.

No estudo, feito nos Estados Unidos e publicado no Journal of Neuroengineering and Rehabilitation, o homem conseguiu andar um pouco menos do que quatro metros, com ajuda de um andador ortopédico.

Especialistas elogiaram o trabalho preliminar, mas afirmaram que, para que a pessoa possa andar de forma independente, ainda é preciso descobrir como ela poderia manter o equilíbrio.

Uma lesão na medula geralmente impede a transmissão de mensagens do cérebro para o resto do corpo. Mas, em princípio, o cérebro continua sendo capaz de criar essas mensagens, assim como as pernas ainda estão aptas a recebê-las.

Os pesquisadores da Universidade da Califórnia usaram um sistema para conectar o cérebro do paciente ao computador e, com isso, transpor a lesão do homem, que havia perdido o movimento das pernas há cinco anos.

Eles usaram uma touca de eletroencefalograma para ler a atividade cerebral do homem. Este tinha sido treinado a controlar um avatar em um jogo de computador.

‘Estudo interessante’

Após esta fase, foram colocados eletrodos nos músculos de sua perna e o paciente começou a treinar a execução de movimentos.
“Mostramos que é possível restaurar o andar intuitivo, controlado pelo cérebro, após uma lesão completa na medula”, disse um dos pesquisadores, Dr. An Do.

“Esse sistema não invasivo para estimular músculos da perna é um método promissor e um avanço em relação aos sistemas atuais de controle pelo cérebro, que usam realidade virtual e exoesqueletos robóticos.”

Já Mark Bacon, da entidade Spinal Research, disse à BBC que este é um “estudo em estágio inicial interessante”.
“É interessante porque ele se afasta do campo da realidade virtual ao ativar músculos de membros inferiores em um padrão de caminhada.”

“Quanto a isso, houve sucesso. Mas caminhar de forma independente ainda está longe, até porque a questão de manter o equilíbrio não foi abordada.”

Fonte: Pessoas com deficiência


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