Publicado por: Ricardo Shimosakai | 09/10/2015

Numa praia do Funchal pode-se nadar num mar que não se vê


Os novos equipamentos emitem sinais que são recebidos pelos invisuais numa pulseira especialOs novos equipamentos emitem sinais que são recebidos pelos invisuais numa pulseira especial

O Funchal tem, a partir da próxima semana, a única praia do país adaptada para invisuais. O projecto, orçamentado em cerca de 100 mil euros, começou a ser testado nesta quinta-feira e vai permitir que pessoas invisuais possam de forma completamente autónoma ir ao mar, usufruindo também de todos os equipamentos de apoio balnear.

A ideia foi posta em prática na Praia Formosa, a maior da cidade, e consiste na colocação na água de uma linha de bóias equipadas com sensores, que informam, através de sinais sonoros, os utentes sobre a profundidade do mar, indicando também a distância da praia e a direcção da mesma.

Toda essa informação é transmitida para uma bracelete usada pelos banhistas invisuais, que têm, a qualquer momento, a possibilidade de pedir ajuda aos nadadores-salvadores através de um botão SOS.

A ideia de criar uma praia adaptada chegou à Câmara do Funchal através do orçamento participativo. O projecto vencedor foi uma praia adaptada para pessoas com dificuldades de locomoção, mas a autarquia quis ir mais além e alargou a ideia aos invisuais e às pessoas que, não sendo cegas, tenham dificuldades de visão.

“Quisemos ir mais longe, porque consideramos que fazia todo o sentido o Funchal, que é uma cidade de praia e turística, ter esta oferta”, explicou ao PÚBLICO o vereador Domingos Rodrigues, responsável pela execução dos projectos saídos do orçamento participativo. “Somos uma cidade muito procurada por turismo sénior, e por isso esta praia não é apenas para os funchalenses mas também para os turistas que nos visitam”, acrescentou o responsável municipal, dizendo que o sistema respeita todas as normas e exigências nacionais e internacionais.

Com pouca ou nenhuma legislação nacional sobre esta matéria – a que existe é pouco exigente –, a Câmara  do Funchal adaptou o modelo francês para este tipo de  praias, um dos mais avançados do mundo, para concretizar o projecto.

“Cumprimos todos os critérios do nível 4 [o mais elevado] do modelo francês”, adianta Domingos Rodrigues, dizendo que “não é vergonha nenhuma” copiar os melhores. “Se o modelo existe e é bom, é melhor não inventar e aproveitar o que já foi testado com sucesso.”

Na Praia Formosa, foi construída uma zona de sombreamento, colocado um passadiço em madeira para as cadeiras de rodas circularem até à zona adaptada, e os vestiários foram remodelados, bem como os duches e sanitários. A colocação de sinalética específica e a criação de zonas de estacionamento para pessoas portadoras de deficiência completam as infra-estruturas de apoio.

“Adquirimos três cadeiras de rodas especiais, duas que flutuam (para os que não sabem nadar) e outra que permite ao utilizador deixar a cadeira na água, nadar, e depois voltar à cadeira para regressar à praia.” Todas têm rodas que permitem circular com facilidade em qualquer tipo de terreno, incluindo areia, facilitando assim o acesso ao mar. “Fizemos tudo de forma a que as pessoas sejam o mais autónomas possível na praia.”

A ideia da autonomia, de permitir que as pessoas se desloquem na praia sem ajuda de outras, foi a trave mestra de todo o projecto. E a parte dedicada aos invisuais, que precisam de ajuda para entrar, nadar e sair da água, foi o ponto de honra dos promotores.

Utilização gratuita
O equipamento Audioplage adquirido, com tecnologia francesa, engloba as bóias sinalizadoras e as braceletes, e permite a utilização simultânea de cinco pessoas. “Este foi o primeiro passo, e sei que agora não podemos voltar atrás. É um direito das pessoas, e elas vão querer mais. Fico satisfeito com isso”, afirma Domingos Rodrigues, dizendo que o projecto é pioneiro em Portugal, e até na Europa, onde são poucos os países com estas infra-estruturas para invisuais.

“Fora de França, este sistema para invisuais só existe numa praia grega e num espaço balnear espanhol”, afirma o vereador, vincando que estes equipamentos são “obviamente” de utilização gratuita. “O objectivo foi, e é, proporcionar a todos um simples e prático acesso à praia.”

Tudo isto foi feito com pouco menos de 100 mil euros. O maior investimento foi feito nas cadeiras de rodas anfíbias e todo-o-terreno — cada uma custa três mil euros —, nas muletas que flutuam e no sistema Audioplage. “A maioria das infra-estruturas de apoio necessárias já existiam, só tivemos que efectuar algumas adaptações”, explica o vereador, frisando que o objectivo é que a praia funcione durante todo o ano.

Fonte: publico.pt


Responses

  1. 0s artigos q escrevem são muito interessantes e esclarecedoresEu até n/me sinto doente, tenho limitações kkkkk, ando c/alguma dificuldade, mas ando kkkkkkk, tive um avc a 22 anos, e c/isso p/n/me sentir “inútil” , entrei em aulas de pintura e hj sou uma boa artísta plástica, mas como ia dizendo, continuem c/essas excelentes reportagens e continuam me enviando, desde já agradeço a vcs essa maravilhosa atenção q nos dão, bjsssssss


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