Publicado por: Ricardo Shimosakai | 25/01/2016

Refugiada síria atravessou Europa em cadeira de rodas


Noujain Mustaffa em Colônia, na Alemanha, onde vive agora com seus irmãosNoujain Mustaffa em Colônia, na Alemanha, onde vive agora com seus irmãos

As historias e imagens que nos chegam sobre o continuo êxodo dos refugiados no leste da Europa, deixa-nos incapazes, tornando quase todo o resto dos nossos assuntos mundanos quase irrelevantes perante tamanha tragédia humana. Mas entre os rostos e as historias dramáticas, de coragem e perseverança, não é possível esquecer uma adolescente de 16 anos, que com a irmã, atravessaram o tenebroso mar entre a Turquia e a Grécia num frágil bote de borracha, tal e qual milhares de outros seres, caminhando ou em autocarros/comboios apinhados de gente, avançado através da Macedónia, Servia e Croácia há já varias semanas, por entre a chuva ou sol escaldante.

O que é que Noujain Mustaffa e a sua irmã, que a acompanha nesta incrível aventura das suas vidas, têm de diferente, entre as centenas de milhares de refugiados que fogem da guerra ou da miséria rumo ao eldorado Europeu, do qual tu e eu temos o privilegio de pertencer?

É que Noujain é inválida, não caminha desde nascença, e tem feito toda esta impossível proeza numa cadeira de rodas, puxada pela sua irmã de 25 anos. Quer ir ter com o seu irmão na Alemanha, que também lá espera a espera de ser resolvido o seu pedido de asilo.

Numa entrevista à BBC disse candidamente e com uma à-vontade impressionante que fazia este viagem para provar que todos temos direito a viver o seu sonho. O sonho de uma vida melhor. Disse: “Tu tens de lutar para conseguir o que queres neste mundo – então, sim, esta é uma viagem para uma nova vida”. Quando lhe perguntaram se a viagem tinha sido má, respondeu pelo contrario tinha sido até aquele momento muito emocionante e divertida. A parte má foi a sua vida na Síria, onde a cada dia ia perdendo os seus amigos e familiares, mortos numa guerra sem sentido, isso sim era o inferno.

Na terça feira, depois do fecho da fronteira Húngara com a Croácia, rumava à Eslovénia por entre caminhos de terra poeirentos. Na passada sexta feira tinha conseguido chegar a Eslovénia, mas sem visto ou outros papeis foi reencaminhada pelas autoridades Eslovenas para um centro de refugiados em Logatec. Aguarda pacientemente. Disse aqui que depois de tanta euforia, a chegada a este lugar tinha sido uma decepção, mas sabe que vai chegar a Alemanha, junto do seu irmão, não sabe quando, mas sabe que vai chegar.

Diz querer ser astronauta e descobrir extraterrestres. Se conseguir ou não descobrir extraterrestres, o futuro o dirá, por agora a sua fantástica historia é uma assombrosa inspiração para todos nos.

Fonte: Espinho Net


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