Publicado por: Ricardo Shimosakai | 19/04/2016

Serviço de audiodescrição do Mirante de Joinville é testado


O professor Osmar Pavesi, que é deficiente visual, usa um telefone celular para ouvir a audiodescriçãoO professor Osmar Pavesi, que é deficiente visual, usa um telefone celular para ouvir a audiodescrição

A convite da reportagem de “A Notícia”, Osmar Pavesi, de 46 anos, cego desde que nasceu, foi visitar o Mirante de Joinville para conferir o serviço de áudio descritivo, que apresenta informações da paisagem da região. A visita foi feita no dia 7 de abril, às 10 horas.

O Mirante é uma estrutura em concreto armado com acabamento aparente, tendo 14,5 metros de altura da plataforma de observação em relação ao solo. Além da plataforma, o Mirante é composto por escadarias, elevador, e, no nível do solo, existem sanitários e salas para informações turísticas, controle e segurança.

Além do áudio que descreve a paisagem, disponibilizado também no site da Prefeitura de Joinville, há também um sobre a Janela, que seria um segundo mirante existente junto à trilha que contorna o morro do Boa Vista. Os materiais foram gravados pela coordenadora de radiodifusão de informação da Fundação Cultural de Joinville, Tusi Helena.

O percurso feito iniciou-se na trilha do morro do Boa Vista, passando pela Janela e chegando ao Mirante. Na trilha, Pavesi teve o apoio do guarda-corpo, mas que, segundo ele, não é suficiente. Sem a intervenção de outra pessoa, o deficiente visual acaba batendo nas árvores que encontra no caminho. Não há áudio descritivo deste percurso.

— Quem planejou não pensou nas pessoas cegas — disse Pavesi, que ainda considera o serviço muito interessante pela preocupação da Prefeitura.

Chegando à Janela, Osmar ouviu pelo celular o áudio descritivo de cerca de seis minutos, gravado na voz de Tusi.

— As informações técnicas são muito boas — disse Pavesi, que revelou que quando era “gurizão” subia o morro do Boa Vista correndo.

Antes de subir as escadas do Mirante, Pavesi encontrou o gerente da Secretaria de Meio Ambiente (Sema), Reginaldo da Roza. Ele aproveitou para fazer suas considerações sobre o complexo.

— A grande proposta é o pessoal ser treinado para guiar adequadamente o deficiente visual — disse Pavesi.

A subida ao Mirante foi feita pela escada porque o elevador estava em manutenção. Pavesi já havia ouvido o áudio descritivo do Mirante, mas aproveitou para fazer isso lá de cima. O áudio tem pouco mais de três minutos. Ele vai voltar ao local neste domingo, desta vez acompanhado de seus alunos. Osmar é professor na Associação Catarinense de Ensino (ACE), onde ministra uma disciplina optativa para o curso de psicologia sobre atendimento educacional do deficiente visual. Para a visita, o professor também convidou alguns colegas com deficiência visual. A ideia é ir além do que o áudio apresenta. Para ele, o áudio não chega a ser tão detalhista.

Segundo a Prefeitura, desde que foi reinaugurado, há um mês, mais de 20 mil pessoas visitaram o ponto turístico. Para comemorar, a visitação terá horário ampliado: neste sábado, ficará aberto até as 22 horas. O horário-padrão é das 7 às 19 horas e abre todos os dias. O horário do serviço de transporte de ônibus até o Mirante será ampliado até o de fechamento. A saída parte do terminal urbano central, a partir das 8 horas, com intervalos de 20 minutos.

O acesso ao Mirante para o roteiro noturno continua sendo o mesmo, com permissão apenas para a linha de ônibus especial desde o terminal central até a base do Mirante. O valor da passagem é de R$ 3,70 (antecipada) e R$ 4,50 (embarcada). A volta é gratuita. Os visitantes podem escolher entre subir a pé ou de bicicleta. A subida de carros e motos é proibida.

Ideia partiu de arquiteta

O áudio foi uma iniciativa da arquiteta e urbanista Carolina Stolf Silveira, coordenadora da unidade de planejamento da Fundação Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano para o Desenvolvimento Sustentável de Joinville (Ippuj) e doutoranda na área de acessibilidade espacial.

— As descrições em áudio são essenciais para pessoas com deficiência visual. Essas descrições têm um campo muito amplo para serem aplicadas na cidade, para que as pessoas cheguem aos seus destinos, para visitar locais que antes não eram visitados. Tendo essas informações técnicas mais exemplificadas, o deficiente visual consegue fazer essa imagem mental e tirar proveito desse ambiente — disse Carolina, que informou que o serviço não teve nenhum custo para a Prefeitura.

Carolina disse que o áudio não serve só para pessoas cegas, pois traz uma série de informações importantes que vão além da descrição da paisagem.

— A ideia da descrição é, principalmente, para quem tem cegueira adquirida. As pessoas podem estar revivendo. Essa é a ideia principal. A maioria são cegos adquiridos — disse Carolina, que disse o Ippuj não tem previsão para fazer o mesmo em outros lugares.

O geógrafo Jorge Luis Araújo de Campos e o arquiteto e urbanista Vânio Lester Kuntze, diretor executivo do Ippuj, participaram na formação textual da descrição da paisagem e da arquitetura do Mirante e seus elementos. O material também teve apoio da Associação Joinvilense para Integração dos Deficientes Visuais (Ajidevi) e da Fundação Cultural. Os dois áudios e a transcrição completa podem ser conferidos no site da Prefeitura: www.joinville.sc.gov.br. Os elogios, críticas e sugestões de Pavesi foram levados para os responsáveis pelo projeto.

O que diz a Sema

O gerente da Sema, Reginaldo da Roza, ouviu as sugestões de Pavesi e informou que a demanda dos guias é da Fundação Turística.

— A Sema é responsável pela gestão do parque, que envolve segurança, zeladoria, limpeza, parte operacional e manutenção — disse Reginaldo, que se comprometeu a levar as considerações de Pavesi para uma reunião de avaliação do primeiro mês de reabertura que será feita na semana que vem. A reunião contará com a presença de representantes do Ippuj, Fundação Turística, Sema, Secretaria de Comunicação Social (Secom) e Secretaria de Proteção Civil e Segurança Pública (Seprot).

O que diz a Fundação Turística

Douglas Hoffmann, gerente de marketing  da Fundação Turística, confirmou que esta demanda é da fundação, mas que hoje este trabalho não é realizado e não há nada previsto neste sentido.

— Acredito que não seja justo ter guias para pessoas cegas e para as outras não. As pessoas têm que ser tratadas igualemnte — disse Douglas, que informou que este serviço deve ser contratado em agências particulares.

Ele relatou ainda que há alguns anos a Prefeitura realizava este acompanhamento, mas depois de um processo da Associação de Guias Turísticos de Joinville, o serviço foi encerrado. A alegação é que a Prefeitura estaria fazendo o serviço dos guias.

O que diz o Ippuj

O Ippuj infirmou que está providenciando um projeto de acessibilidade específico para o Mirante. O projeto contaria com sinalização tátil no piso. Sobre os guias, não há nada previsto.

— O Mirante tem uma comunicação visual. Dá para disponibilizar os elementos principais sonoros ou táteis, de repente uma maquete — conta Carolina, que acredita que com a sinalização tátil o deficiente visual já consiga se localizar melhor.

— Ele sai da sua casa, vai até o ponto de ônibus mais próximo, vai até a estação central e no ponto que desembarca tem sinalização.

O que diz a Ajidevi

A Ajidevi entende que nem sempre dá pra fazer as ações necessárias por causa de questões ambientais.

Fonte: A Notícia


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