Publicado por: Ricardo Shimosakai | 13/07/2016

Visitas guiadas facilitam passeio de pessoas com deficiência na Fenearte


Através da audiodescrição e do toque, deficientes visuais tem vivência diferente da feiraAtravés da audiodescrição e do toque, deficientes visuais tem vivência diferente da feira

“A gente sente a textura e acaba enxergando, do mesmo jeito que vocês”, diz a funcionária pública Ana Cláudia, deficiente visual, depois de visitar o estande de esculturas em palitos de fósforo na Feira Nacional de Negócios do Artesanato (Fenearte). Acompanhada de audiodescritores e intérpretes, Ana Cláudia foi uma das pessoas com deficiência visual que fez o passeio da acessibilidade oferecido gratuitamente pela feira.

Além do acompanhamento com audiodescrição, o evento também oferecia da visita guiada com intérpretes de Língua Brasileira de Sinais (Libras) para pessoas com deficiência auditiva. Uma van faz o transporte dos visitantes com deficiência vindo do Derby, área central do Recife, para onde retornam ao final da experiência. No total, são dois audiodescritores, um consultor deficiente visual e um técnico de aparelhos, além dos dois intérpretes de libras e um consultor surdo.

Ana Cláudia marcou presença nos quatro dias em que o serviço foi oferecido, sempre das 14h às 17h, com capacidade máxima de receber até 20 pessoas por visitação. “É muito diferente vir aqui com audiodescrição e sem, porque de repente se eu quiser comprar alguma coisa específica eu posso pedir pra me guiarem pra lá. A gente tatei, sente, fazemos a experimentação. Não conseguimos ver, mas imaginamos o tamanho”, conta Ana, que não pretende mais retornar à feira sem estar acompanhada por um audiodescritor.

Artesão descreve como faz para fazer suas esculturas em palitos de fósforoArtesão descreve como faz para fazer suas esculturas em palitos de fósforo

A coordenadora do projeto, Liliana Tavares, é audiodescritora e acompanha os grupos há seis anos, desde que a iniciativa por mais acessibilidade na feira começou. “Eles vindo sozinhos não fazem ideia do que está acontecendo. O bom da feira é estar em contato com público e aí eles têm a chance de sentir, tocar, interagir. A experiência é incrivel até pra gente e, assim, todo mundo sai ganhando: eles compram, os vendedores explicam o produto. No final, os visitantes que guiamos nos dizem que a feira não faz sentido sem a audiodescrição”, explica Liliana.

A visita audiodescritiva é feita com o suporte de fones de ouvidos, distribuídos para cada participante. A guia anda pelos estandes com um microfone para descrever e transmitir o que está vendo e, muitas vezes, os vendedores, artesãos e artistas conversam com os visitantes para explicar o produto que vendem.

“Antes de começar a visita, perguntamos o que eles gostariam de comprar. Lá na Alameda dos Mestres é a que demoramos mais tempo, mas uma das partes preferidas deles é a de degustação, porque eles experimentam muito”, explica a coordenadora. Para a empresária aposentada Teresinha Ribeiro o cuidado com a descrição dos artigos é essencial para a vivência da feira. “É como se a gente realmente visse. Elas descrevem de uma maneira que dá para imaginar a imagem. Como eu já enxerguei, não sei se é mais fácil pra mim, mas acho um trabalho fantástico”, elogia.

Além do acompanhamento com audiodescrição, o evento também oferecia da visita guiada com intérpretes de Libras para pessoas surdasAlém do acompanhamento com audiodescrição, o evento também oferecia da visita guiada com intérpretes de Libras para pessoas surdas

A intérprete de Libras Débora Pereira acredita que os resultados da visita são muito positivos, mas lamenta que poucas pessoas ficam sabendo do serviço. “Alguns surdos participaram de oficina de barro e foi bom porque tínhamos uma pessoa surda no grupo que quer ser artista e ela pode fazer perguntas, algo que, infelizmente, ela não teria acesso sem o intérprete de Libras”, conta.

Os estudantes Eduardo Carlos e Manuel Minervino, por exemplo, conseguiram tirar algumas dúvidas sobre produção de peças como as luminárias de pedras de sal do espaço do Himalaia. “Essa pedra é realmente diferente, não sabia que ela vinha de um lugar tão profundo. Se eu não tivesse um intérprete, eu não iria entender nada do que aprendi hoje, porque não tem como perguntar às pessoas”, explica Manuel, através da tradução simultânea com Libras.

A Fenearte funciona das 14h às 22h, durante a semana, e das 10h às 22h, nos sábados e domingos. Os ingressos custam R$ 10 e R$ 5 (meia) de segunda a quinta e R$ 12 e R$ 6 nas sextas, sábados e domingos.

Fonte: G1


Responses

  1. Boa dia!

    Sou Jéssica Rocha, aluna de Arquitetura e Urbanismo da instituição de ensino UNIARP, Caçador/SC – BRASIL.

    Acompanho o trabalho de vocês a um tempo, acho maravilhoso. Já até me ajudaram muito em um trabalho que fiz na faculdade!

    Agora peço a ajuda de vocês para um auxilio no meu TCC (Projeto de conclusão de curso), quero parti do tema acessibilidade que é fundamental no meio da construção civil. Gostaria de saber se posso contar com o apoio de vocês, pois com certeza isso irá ajudar vocês a estimular muitos alunos a conceituarem esse tema. Desde já agradeço!

    ________________________________


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